Domingo, 11 de Outubro de 2026
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Domingo, 11 Outubro 2026 12:12

Carlos Feijó alerta: passado histórico do MPLA já não garante vitória em 2027

Dirigente defende reorganização interna, combate à corrupção e maior proximidade com os cidadãos, alertando que o passado histórico do partido não garante a vitória nas próximas eleições gerais.

O MPLA enfrenta o desafio de reforçar a sua organização interna, combater a corrupção e recuperar a proximidade com os cidadãos, numa altura em que se prepara para as Eleições Gerais de 2027. O alerta foi lançado por Carlos Maria Feijó, coordenador do Grupo de Acompanhamento do Secretariado do Bureau Político do partido à província do Cunene, durante o encerramento da XI Conferência Ordinária Provincial, realizada em Ondjiva.

Diante dos delegados provenientes de vários municípios do Cunene, Carlos Maria Feijó alertou que o percurso histórico do MPLA, por si só, não garante a preferência do eleitorado, defendendo que a confiança dos cidadãos deve ser conquistada continuamente, através de resultados concretos e de propostas credíveis, capazes de responder às necessidades e expectativas da população.

«Em democracia, a legitimidade de um partido não se herda. Conquista-se e renova-se, eleição após eleição. A História dá-nos autoridade moral, mas não nos dá votos automáticos», afirmou o dirigente, sublinhando que a reorganização interna e o reforço da confiança dos cidadãos constituem desafios importantes para o MPLA no caminho para as Eleições Gerais de 2027.

A mensagem traduz o reconhecimento de que a experiência histórica e a posição política do partido não dispensam uma avaliação permanente do seu desempenho, sobretudo num contexto em que a conquista de votos depende também da capacidade de apresentar soluções para os problemas económicos e sociais do país.

No discurso de encerramento, Carlos Feijó sublinhou que o reforço da estrutura interna do MPLA é indispensável para melhorar a sua aceitação pública. Na perspectiva do dirigente, uma organização que não consegue assegurar o seu próprio funcionamento interno dificilmente conseguirá convencer a sociedade da sua capacidade para responder aos desafios nacionais.

A necessidade de combater a corrupção e de reforçar a ligação às comunidades surge, neste quadro, como parte dos desafios que o partido terá de enfrentar para preservar a confiança dos eleitores.

O alerta ganha particular relevância por surgir numa conferência provincial dedicada à avaliação da organização partidária, a menos de um ano das eleições gerais de 2027. A intervenção de Feijó aponta para a necessidade de transformar o reconhecimento das dificuldades internas em medidas concretas, capazes de produzir resultados visíveis junto da população.

Em paralelo com os desafios eleitorais, o MPLA prepara o IX Congresso Ordinário, agendado para Dezembro, num cenário ainda marcado pela incerteza quanto à existência de múltiplas candidaturas à presidência do partido.

O secretário para a Informação e Propaganda do Bureau Político, Esteves Hilário, considerou prematuro antecipar se haverá mais do que um candidato à liderança, tendo indicado que uma definição sobre o assunto deverá ser conhecida até ao final de Outubro.

A disputa interna ganhou maior visibilidade com a entrada de Higino Carneiro na corrida à presidência do MPLA. O pré-candidato admitiu recorrer à impugnação das eleições internas caso sejam desrespeitados os estatutos do partido durante o processo de escolha da liderança.

A possibilidade de contestação coloca a transparência e o cumprimento das regras internas no centro das atenções, numa fase em que o partido procura organizar a sucessão e definir a estratégia política para os próximos anos.

A eventualidade de João Lourenço avançar como candidato único à liderança poderá, segundo analistas, agravar divergências entre diferentes sectores do MPLA e condicionar a coesão interna antes das eleições gerais de 2027.

Embora o quadro definitivo das candidaturas ainda não esteja esclarecido, a discussão em torno da liderança decorre num momento em que responsáveis do partido reconhecem a necessidade de melhorar a organização interna e reforçar a confiança dos cidadãos.

O desafio do MPLA será, assim, conciliar a gestão da disputa interna com a necessidade de apresentar uma imagem de unidade, credibilidade e capacidade de resposta aos problemas da população.

As declarações de Carlos Feijó no Cunene deixam uma advertência política relevante: a história do partido pode continuar a ser um activo, mas não substitui o trabalho de organização, a confiança pública nem a apresentação de resultados. Com o congresso de Dezembro no horizonte e as eleições gerais de 2027 a aproximarem-se, a capacidade de responder a estas exigências poderá revelar-se determinante para as ambições eleitorais do MPLA.

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