“Queremos votar, queremos mudança, estamos cansados”, afirmou Vitorina Gamelas, à margem de uma mesa-redonda sobre justiça eleitoral em Angola, organizada pela associação e que decorre hoje em Lisboa.
“Nós nascemos com o governo que está no poder, crescemos com o governo que está no poder, estamos a envelhecer com o governo que está no poder e notamos que não há melhorias que satisfazem o povo angolano”, acrescentou.
A presidente da associação salientou que, por isso, foram convidadas várias personalidades para ouvir “na primeira pessoa” o que se passa em Angola, questionando por que razão não há alternância política nem reformas “há quase 52 anos”.
No primeiro painel, no qual participam o ativista angolano Luaty Beirão e a investigadora Paula Roque, vão ser abordadas as “irregularidades estruturais no processo pré-eleitoral de 2027”, seguindo-se um debate sobre “a diáspora angolana perante os desafios eleitorais”.
O político moçambicano Venâncio Mondlane, outro dos convidados, vai falar sobre a experiência eleitoral de Moçambique.
Vitorina Gamelas adiantou que a associação tem notado uma maior “afluência de angolanos” a Portugal, por causa da situação política, económica e social em Angola, acrescentando que o salário mínimo é baixo face ao elevado custo de vida.
Destacou, em particular a saída de jovens que “não se identificam com a situação” e não têm emprego e emigram à procura de melhores condições de vida.
Quem deixa Angola rumo a Portugal vem “para ficar”, continuou a presidente da associação. “A língua ajuda muito”, afirmou, tal como a cultura, os hábitos e os costumes, além de os angolanos serem “muito bem recebidos” em Portugal.
A legalização e o alojamento são as principais dificuldades que encontram, devido às rendas elevadas e falta de documentos.
Para apoiar no alojamento, a associação tem uma base de dados de casas e quartos para arrendar, tentando conciliar oferta e procura.
“Muitas das vezes nós damos a cara, somos fiadores”, exemplificou.
A dirigente disse que os pedidos de ajuda têm aumentado com a subida do custo de vida e os associados juntam contribuições entre si para apoiar famílias necessitadas.
A Associação Angola Viva na Diáspora foi criada no ano passado e é uma associação cívica sem fins lucrativos. Segundo a presidente, tem mais de 200 associados e polos em Portugal, Inglaterra, França, Bruxelas, Alemanha e Espanha com o objetivo de apoiar a legalização, o alojamento e a integração dos angolanos.
Angola é governada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) desde a independência, em 1975, estando previstas as próximas eleições gerais estão para 2027.

