Terça, 06 de Outubro de 2026
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Terça, 06 Outubro 2026 11:22

Adalberto Costa Júnior rejeita “Rádio Nacional do MPLA” e defende órgão público independente

Presidente da UNITA aproveita o aniversário da RNA para exigir o fim da tutela partidária sobre a comunicação social pública e propõe retirar ao Chefe de Estado o poder de nomear os gestores

Luanda – O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, aproveitou o Dia da Rádio Nacional de Angola, assinalado a 5 de Outubro, para lançar uma crítica dura ao modelo de funcionamento da emissora pública e defender uma reforma profunda da comunicação social estatal. Para o líder do maior partido da oposição, a data comemorativa "não apaga a sua herança": a RNA nasceu no tempo do partido único e nunca se libertou dele.

Na mensagem divulgada, Adalberto Costa Júnior sustenta que, mesmo depois da abertura ao multipartidarismo, em 1991, a rádio pública continua "domesticada", com a linha editorial condicionada pelo poder político. O dirigente recorda que os responsáveis da emissora são nomeados pelo Presidente da República e que alguns quadros dirigentes chegaram a integrar o Comité Central do MPLA. O resultado, defende, é uma antena que reflecte o partido e não o país.

Jornalistas "reféns" de um sistema

O presidente da UNITA procurou, ainda assim, separar a crítica às estruturas da avaliação dos profissionais. Sublinhou que a posição "não é contra os jornalistas, técnicos, produtores e demais profissionais da RNA", e que é precisamente por reconhecer a importância do seu trabalho que defende a sua autonomia. Descreveu-os como profissionais com grande aptidão, mas "reféns" de um sistema que os empurra para um jornalismo afastado das normas, da verdade e da ética que estudaram. Recordou também que lutam por salários dignos e melhores condições de trabalho, num órgão financiado pelo erário público.

Angola em 109.º lugar

Para Costa Júnior, a questão ultrapassa a disputa partidária. O líder da UNITA invocou o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras, que em 2026 coloca Angola na 109.ª posição entre 180 países e aponta a predominância dos meios estatais no panorama radiofónico nacional.

O que propõe a UNITA

Perante este cenário, o partido defende uma reforma assente em quatro eixos:

━ Gestores dos órgãos públicos escolhidos através de mecanismos independentes e transparentes;

━ Maior autonomia editorial e de gestão;

━ Regras de financiamento que protejam o serviço público;

━ Instituições capazes de fiscalizar o poder em vez de dependerem dele.

Em concreto, a UNITA propõe retirar ao Presidente da República a competência de nomear os gestores, substituindo-a por um modelo com supervisão independente e validação parlamentar qualificada.

Eleições à vista

A mensagem surge numa altura em que, segundo o próprio dirigente, Angola "se aproxima de mais um momento eleitoral" e precisa de uma rádio pública onde Governo e oposição possam ser escrutinados. Costa Júnior enquadrou a proposta na defesa de uma alternância que não se limite à mudança de quem governa, mas que alcance as instituições que sustentam a democracia. A comunicação social pública, afirmou, é uma das primeiras a libertar da lógica de dependência.

Na conclusão da mensagem, o presidente da UNITA resumiu a visão do partido numa fórmula simples: não quer uma Rádio Nacional do MPLA, nem uma Rádio Nacional da UNITA, mas uma Rádio Nacional de Angola, "suficientemente livre para informar, suficientemente independente para questionar e suficientemente republicana para servir todos os angolanos".

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