O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, deixou esta quinta-feira um apelo à participação dos cidadãos na vida política, numa mensagem intitulada "Não Te Cales", publicada na sua página. O texto lança um alerta: quando os cidadãos desistem de intervir, a sociedade começa a perder a sua soberania.
Na mensagem, o líder do maior partido da oposição angolana sustenta que uma sociedade entra nesse processo quando os seus membros "entregam a outros o direito de decidir sobre o seu próprio destino". Adalberto Costa Júnior reconhece que a desilusão com a política é legítima e que os cidadãos podem questionar os políticos, denunciar os seus erros e exigir melhores práticas.
Ainda assim, considera que há uma realidade incontornável: nas repúblicas modernas, é através da política que se organizam o Estado, a economia, a justiça, a educação, a saúde e as condições de vida das famílias.
Daí a tese central do texto: a política não pode ser propriedade dos políticos, sendo, "antes de tudo, um instrumento dos cidadãos". O dirigente aponta as consequências do afastamento. Quando o cidadão se retira, alguém ocupa o espaço que deixou vazio; quando abdica da cidadania, outros passam a decidir por ele.
O silêncio prolongado recebe uma leitura particularmente crítica. Segundo Adalberto Costa Júnior, quando uma sociedade se habitua a calar, o silêncio "deixa de ser prudência" e transforma-se "numa forma de consentimento".
A mensagem termina com uma interrogação dirigida a quem a lê: "A quem interessa um cidadão desiludido, silencioso, descrente e afastado da vida pública e política do país?" O presidente da UNITA não avança uma resposta, deixando-a à reflexão de cada um.

