Sexta, 16 de Outubro de 2026
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Sexta, 16 Outubro 2026 12:21

O mundo está fabricando diplomas e condenando jovens ao desemprego

O mundo está diante de uma contradição vergonhosa. Nunca houve tanta tecnologia, tanta riqueza acumulada, tanta inteligência artificial e tanta capacidade de produção. Ainda assim, 800 milhões de jovens poderão chegar ao mercado de trabalho nos próximos 15 anos sem encontrar uma vaga.

O alerta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento não é apenas uma estatística. É um retrato de um sistema que promete futuro, mas parece incapaz de oferecer presente.

Estamos formando gerações para disputar oportunidades que talvez nem existam. A juventude estuda, conquista diplomas, investe tempo e alimenta expectativas. Depois, encontra portas fechadas, rotinas insuficientes e processos seletivos que desativam a experiência de quem ainda tenta conseguir o primeiro emprego. É uma engrenagem cruel. Cobra qualificação, mas não garante oportunidades. Exige produtividade, mas tolera o desperdício de milhões de talentos.

A inteligência artificial entra nessa história como revolução e ameaça. Pode aumentar a eficiência, criar atividades e transformar profissões. Também pode eliminar funções, concentrar renda e ampliar desigualdades. O problema não é apenas de tecnologia, mas em quem controla seus benefícios e em quem paga a conta das mudanças. Se os ganhos ficam nas mãos de poucos e os prejuízos recuam sobre muitos, não estamos diante de progresso para todos. Estamos diante de uma modernização com excluídos.

Não adianta discursar sobre inovação enquanto os jovens permanecem sem perspectivas. Tampouco basta anunciar programas, parcerias e planos de investimento se os resultados não aparecerem na vida real. Os governos precisam criar condições para novos negócios, investir em educação conectada às necessidades de economia e estimular setores capazes de contratar. As empresas, por sua vez, não podem tratar a formação de profissionais como responsabilidade exclusiva do Estado.

Há ainda uma injustiça maior. Países endividados, pressionados pelos custos de financiamento e por crises sucessivas, têm menos recursos para investir justamente quando mais precisam gerar oportunidades. A pobreza deixa de ser apenas consequência da falta de emprego e passa a alimentar um ciclo que compromete o desenvolvimento.

O recado é duro. Uma economia que produz riqueza, mas não consegue oferecer trabalho digno à própria juventude, precisa rever suas prioridades.

O futuro não será garantido por algoritmos, discursos ou promessas de crescimento. Será construído quando a inovação deixar de servir apenas à produtividade e também servir às pessoas. Os jovens não precisam de piedade nem de slogans. Precisam de oportunidades concretas. Uma geração sem trabalho não representa apenas uma tragédia individual.Representa o fracasso coletivo de uma sociedade que não conseguiu transformar seu potencial em esperança.

Gregório José
Jornalista/Radialista/Filósofo
Pós Graduado em Gestão Escolar
Pós-Graduação em  Ciências Políticas
Pós Graduado em Mediação e Conciliação
MBA em Gestão Pública

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