Quarta, 26 de Agosto de 2026
Follow Us

Terça, 25 Agosto 2026 23:55

Portugal extradita suspeito de ataque milionário a banco angolano

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) recebeu, esta terça-feira, 25 de Agosto de 2026, por via de extradição proveniente da República Portuguesa, o cidadão nacional Fernando Nunes Correia, suspeito de integrar uma rede criminosa internacional investigada por ataques cibernéticos contra instituições bancárias angolanas.

A operação foi conduzida pelo SIC, através da Direcção Nacional de Combate aos Crimes Informáticos e do Gabinete Nacional da Interpol, no âmbito da cooperação policial e judiciária internacional.

Segundo o SIC, a extradição é resultado de uma investigação de elevada complexidade, iniciada em Janeiro de 2025, que permitiu identificar uma organização criminosa estruturada, constituída por cidadãos angolanos e estrangeiros de nacionalidades nigeriana, costa-marfinense, beninense e libanesa.

As autoridades dizem ter apurado que o grupo actuava com uma divisão de tarefas e tinha como alvo instituições bancárias em Angola e noutros países da região. No decorrer da investigação, foram identificados ataques consumados e tentativas de intrusão informática, tendo a intervenção das autoridades permitido, em alguns casos, impedir a concretização das acções e preservar montantes considerados significativos.

Suspeito terá facilitado acesso à rede bancária

Fernando Nunes Correia exercia funções numa instituição bancária no município do Negage, província do Uíge. De acordo com o SIC, o cidadão terá cedido as suas credenciais de acesso e introduzido um equipamento informático na rede interna do banco, criando as condições necessárias para o acesso remoto aos sistemas da instituição.

O ataque, ocorrido em Janeiro de 2025, terá provocado um prejuízo económico superior a seis mil milhões de kwanzas.

Após a operação, o suspeito terá deixado Angola com destino a Portugal, numa viagem alegadamente custeada pela própria rede criminosa. Já em território português, terá recebido a alegada contrapartida financeira pelo seu envolvimento e continuado a colaborar com a organização, nomeadamente no recrutamento de funcionários bancários.

Dez suspeitos em prisão preventiva

Até ao momento, as diligências realizadas pelo SIC resultaram na detenção de 10 cidadãos, todos em prisão preventiva. As autoridades mantêm, entretanto, em curso operações destinadas a localizar e deter outros alegados integrantes da organização, tanto em Angola como no estrangeiro.

A investigação aponta para uma estrutura criminosa com dimensão internacional e capacidade de actuação contra instituições financeiras, o que levou as autoridades angolanas a reforçar os mecanismos de cooperação com os organismos policiais e judiciários de outros países.

Para o SIC, a extradição de Fernando Nunes Correia representa mais um resultado da cooperação policial e judiciária internacional no combate à criminalidade informática e financeira organizada.

Cumpridas as formalidades legais, o cidadão extraditado será presente ao Ministério Público, que deverá dar seguimento aos trâmites legais subsequentes.

Rate this item
(0 votes)