Quarta, 22 de Julho de 2026
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Quarta, 22 Julho 2026 15:11

Russo, congolês e angolanos vão ser julgados em Luanda por tráfico de pessoas

Um russo, um congolês e sete angolanos vão ser julgados por tráfico de pessoas e associação criminosa e outros crimes, por alegadamente tentarem aliciar jovens angolanas para trabalharem na Rússia ao abrigo de um programa de bolsas de estudo.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a que a Lusa teve acesso, entre os arguidos encontra-se uma funcionária pública afeta ao Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), que iria facilitar a deslocação.

O cidadão russo, de 22 anos, técnico de recursos humanos, e o congolês, de 35 anos, portador de passaporte russo e natural de Kinshasa, chegaram a Angola a 17 de agosto de 2025 a fim de recrutarem mulheres entre os 18 e os 22 anos para trabalharem na Rússia, afirma o MP.

Sob o pretexto da existência de 78 bolsas de estudo para mulheres angolanas, no âmbito de um projeto de parceria com o Governo de Angola denominado "Alabouga Start", o congolês contactou os coarguidos e outras pessoas conhecidas através das redes sociais para recrutarem jovens de baixa condição económica, aliciando-as para viajarem para a Rússia.

No dia 18 de agosto reuniram-se com as candidatas na Casa da Juventude de Viana e, no mesmo dia, levaram 20 delas a um cybercafé para agendar a obtenção do passaporte com um dos coarguidos, pessoa da confiança da funcionária do SME que iria ajudar no tratamento dos passaportes.

As jovens assinaram no local um recibo em russo, onde subscreveram declarações de compromisso e contraíram um empréstimo com o cidadão russo, que seria deduzido do salário após a assinatura do contrato de trabalho na Rússia.

As candidatas eram aliciadas a candidatarem-se à bolsa de estudo na Rússia depois de lhes serem mostradas, através de um grupo no WhatsApp, fotografias dos locais onde iriam ficar hospedadas, sendo-lhes também dito que seriam remuneradas de acordo com o trabalho que iriam realizar.

Segundo a acusação, os arguidos estavam a realizar o recrutamento sem qualquer contacto com as instituições angolanas, uma vez que as cartas de apresentação relativas à viagem de trabalho apenas deram entrada nos Ministérios da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) e da Educação em 15 de agosto, dois dias antes da chegada dos arguidos.

Os arguidos transportavam elevadas somas de dinheiro, superiores a seis milhões de kwanzas e 4.110 dólares (cerca de 10 mil euros no total), parte das quais se destinaria ao pagamento da funcionária do SME, para facilitar o processo.

O arguido russo, o congolês e três angolanos incorrem, segundo a acusação, nos crimes de tráfico de pessoas, associação criminosa, corrupção ativa de funcionário e retenção de moeda, encontrando-se em prisão preventiva, medida justificada pela "especial sensibilidade e gravidade" dos crimes, pela repercussão dos factos, pelo elevado valor da pessoa humana e pela forma organizada como atuavam para transportar pessoas para fins de exploração.

Outros dois angolanos estão acusados do crime de tráfico de pessoas.

Outros dois angolanos, incluindo a funcionária do SME, estão acusados dos crimes de corrupção passiva de funcionário, tráfico de influência e associação criminosa.

Estes arguidos ficaram sujeitos a Termo de Identidade e Residência (TIR), segundo a decisão do Ministério Público, datada de fevereiro e consultada hoje pela Lusa.

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