Apesar da retoma das operações, a normalização da rede continua longe de estar concluída. Clientes em várias províncias do país continuam a enfrentar dificuldades no acesso aos serviços de voz e internet móvel, uma vez que a reposição está a ser realizada de forma faseada, seguindo a sequência dos números de identificação da operadora.
Em diversos casos, as chamadas telefónicas continuam a apresentar a mensagem "rede ocupada", enquanto outros números permanecem indisponíveis. Também o acesso aos dados móveis continua condicionado em várias localidades, limitando a utilização de aplicações e serviços que dependem da ligação à internet.
O incidente afectou os serviços de telefonia, internet, mensagens e outras funcionalidades da UNITEL, provocando constrangimentos significativos aos mais de 21 milhões de clientes da operadora em todo o território nacional. A interrupção teve ainda reflexos em diversos sectores da economia, afectando operações comerciais, pagamentos electrónicos e serviços digitais que dependem da conectividade móvel.
Em comunicado, a UNITEL revelou que o ataque cibernético foi detectado por volta das 2h20 da madrugada de terça-feira. Segundo a empresa, os mecanismos de resposta e contenção foram accionados de imediato, com a mobilização de equipas técnicas e especialistas em cibersegurança para mitigar os efeitos da ocorrência e garantir uma reposição gradual e segura dos serviços.
A operadora acrescenta que decorrem investigações para apurar a origem e as circunstâncias do incidente. Entre as hipóteses em análise está a possibilidade de o ataque ter sido deliberadamente desencadeado na véspera da admissão das acções da empresa à Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), com o objectivo de comprometer um momento considerado estratégico para a UNITEL.
Sem avançar conclusões sobre a autoria ou motivação do ataque, a empresa garante que continua a trabalhar para restabelecer integralmente a rede, reforçar os mecanismos de segurança e minimizar os impactos causados aos utilizadores.
Enquanto decorre o processo de recuperação, a UNITEL apela à compreensão dos clientes, assegurando que as equipas técnicas permanecem mobilizadas para concluir a normalização dos serviços no mais curto espaço de tempo possível. O incidente é considerado um dos mais graves episódios de cibersegurança alguma vez registados no sector das telecomunicações em Angola, reacendendo o debate sobre a necessidade de reforçar a protecção das infra-estruturas digitais críticas do país.

