Uma greve subdividida em quatro fases foi convocada pelo Sinprof, a primeira delas prevista para o período entre 21 de setembro e 15 de outubro, em protesto contra o alegado incumprimento do acordo celebrado com o executivo em janeiro.
Segundo a fonte, a ministra convidou a presidente do Sinprof para um encontro de auscultação sobre a situação, para o qual vai fazer-se acompanhar de outros líderes sindicais do setor.
A imprensa tentou ouvir hoje a ministra sobre este assunto, à margem da reinauguração de uma escola, em Luanda, mas sem sucesso.
"Não estamos aqui para falar de negociações, estamos aqui para falar da reinauguração das escolas e esse é o propósito. Haverá o momento certo para nos pronunciarmos em relação às negociações com o Sinprof e o sindicato dos professores", referiu.
A fonte sindical reforçou que "trata-se apenas de um encontro de auscultação e não uma reunião negocial".
Em comunicado, o sindicato avançou que "face aos incumprimentos e à violação dos termos do acordo celebrado a 08 de janeiro", o Conselho Nacional do Sinprof decidiu decretar greve no ensino geral, técnico-profissional, formação de professores e educação de adultos.
A greve está programada para quatro períodos ao longo do ano letivo, o primeiro de 19 dias úteis, de 21 de setembro a 15 de outubro, o segundo de 15 dias, de 02 a 18 de dezembro, o terceiro de 13 dias, de 10 a 26 de fevereiro de 2027, e o quarto de 25 dias, entre 17 de maio e 18 de junho de 2027.
A greve será antecedida, a 12 de setembro, de assembleias representativas em todas as capitais das 21 provincias de Angola.
Na reunião de onde salu a decisão da greve, a presidente do Sinprof, Hermínia Maria da Conceição Ferreira do Nascimento, citada no comunicado, afirmou que 'o professor angolano está cansado de promessas não cumpridas".
"Há très décadas que reivindicamos as mesmas questões, e é chegada a hora de respostas concretas", apontou.
O Sindicato concluiu que "o Ministério da Educação violou parte substancial dos compromissos assumidos no Acordo celebrado a 08 de janeiro entre o executivo e Sinprof, situação que compromete a valorização da carreira docente e fragiliza a confiança no executivo".
O SINPROF reivindica o cumprimento do acordo no que se refere à "inclusão dos milhares de professores Injustamente excluídos do Concurso de Ingresso Interno e de Acesso na fase das inscrições e na fase de seleção".
Reclama a 'reavaliação do processo pelas comissões nacionals conjuntas Ministério da Educação-Sinprof" e a "inserção, imediata, no Sistema Integrado de Gestão financeira do Estado (SIGFE) dos professores admitidos".
O Conselho Nacional do Sinprof "manifesta a sua profunda preocupação e indignação perante a situação de milhares de crianças e adolescentes angolanos que, mais uma vez, se encontram impossibilitados de frequentar a escola por falta de vagas nas escolas públicas".
Aquele órgão "considera particularmente preocupante que, no mesmo momento em que o pais enfrenta um défice estrutural de infraestruturas escolares, sejam realizados investimentos de grande dimensão em outras áreas, quando uma melhor aplicação dos recursos públicos poderia contribuir para responder as necessidades sociais urgentes".
"O valor do investimento apresentado publicamente na construção do Centro de Convenções recentemente Inaugurado pelo Presidente da República e titular do poder executivo, João Lourenço, permitiria a construção de aproximadamente 700 escolas, equivalentes a cerca de 8.400 salas de aulas, caso fosse aplicado numa tipologia de 12 salas por escola", considerou.
O Sinprof manifestou disponibilidade para continuar a dialogar com o Governo sobre as matérias que motivam a convocação da greve.

