A empresa detém concessões para a exploração de urânio, lítio e quartzo, recursos que poderão ganhar importância estratégica perante o crescimento mundial da procura por matérias-primas destinadas a baterias, equipamentos eléctricos e outras tecnologias de baixo carbono.
A nova orientação surge num momento de transformação do sector energético internacional e acompanha uma tendência de empresas nacionais de energia em África, que procuram desenvolver novas áreas de negócio perante as mudanças no mercado petrolífero.
Apesar desta aposta, o petróleo continua a constituir o núcleo da actividade da Sonangol. Em 2025, a empresa registou um lucro líquido de 750 milhões de dólares, mantendo-se como um dos principais produtores de crude da África Subsaariana e um dos pilares da economia angolana.
O lítio, utilizado sobretudo no fabrico de baterias, o urânio, associado à produção de energia nuclear, e o quartzo, com diversas aplicações industriais e tecnológicas, colocam a Sonangol perante um mercado diferente daquele em que tradicionalmente opera.
Venda de 30% do capital continua suspensa
Em paralelo, continua adiado o processo de venda de 30% do capital da Sonangol. A privatização parcial foi colocada em suspenso devido à volatilidade do mercado petrolífero, num contexto de incerteza quanto à evolução dos preços do crude e da procura mundial.
A manutenção temporária da actual estrutura accionista permite à empresa acompanhar a evolução dos mercados enquanto prepara a expansão para novas áreas de actividade.
A estratégia representa uma mudança gradual no posicionamento da Sonangol, que procura manter a relevância do negócio petrolífero enquanto avalia oportunidades em recursos considerados estratégicos para a economia global.
Para Angola, a aposta poderá ainda abrir caminho à participação em cadeias de valor ligadas aos minerais críticos, num momento em que os recursos africanos assumem crescente importância nas estratégias internacionais de segurança energética e industrial.

