Quinta, 01 de Outubro de 2026
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Quinta, 01 Outubro 2026 18:58

Mais de 1.500 mortes em seis meses: UNITA exige medidas contra sinistralidade rodoviária

A UNITA, oposição angolana, defendeu hoje a criação de uma base nacional integrada de segurança rodoviária e a publicação periódica dos pontos de maior perigo da rede rodoviária nacional, visando travar o elevado indice de sinistralidade rodoviária.

O "governo sombra" da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), considerou hoje, em conferência de imprensa, que Angola continua a apresentar níveis muito elevados de mortalidade rodoviária.

Segundo a UNITA, entre 2018 e 2022, Angola registou oficialmente 57.027 acidentes rodoviários, 12.315 mortos e 62.515 feridos. Em 2023, foram registados 14.429 acidentes, 3.121 mortos e 17.902 feridos. No primeiro semestre de 2025, foram registados 6.055 acidentes, 1.482 mortos e 8.582 feridos.

E entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, registaram-se 1.558 mortes, mais 125 do que no período homólogo.

Segundo dados oficiais, em 2024, Angola registou 3.120 mortes e 16.282 feridos, resultantes de 12.303 acidentes de viação, o que representa uma média de cerca de nove mortes por dia nas estradas angolanas.

O partido politico, que abordou hoje a problemática da sinistralidade rodoviária em Angola, disse que a segurança rodoviária em Angola "exige uma abordagem séria, responsável e urgente".

"Não estamos perante um problema pontual, nem perante uma simples questão de trânsito. Estamos perante um problema de segurança pública, de saúde pública e de responsabilidade do Estado", afirmou Alexandra Marques, ministra dos transportes do "governo sombra".

Acrescentou que a dimensão do fenómeno "exige" prevenção, fiscalização, infraestruturas mais seguras, veículos em condições técnicas adequadas e capacidade de socorro, realçando que a sinistralidade rodoviária em Angola deve, assim, ser entendida como um "problema estrutural de segurança e de saúde pública".

Para travar os elevados acidentes fatais nas estradas do país, defendeu a criação de uma base nacional integrada de segurança rodoviária, articulada com um Observatório Nacional de Segurança Rodoviária.

"Precisamos de dados atualizados sobre acidentes, mortes, atropelamentos, corredores de maior risco, operadores envolvidos em sinistros, condições dos veículos e tempos de socorro", notou, defendendo igualmente a publicação periódica dos mapas dos pontos negros da rede rodoviária, acompanhados do estado de auditoria, intervenção e correção de cada troço prioritário.

Recordou que o diagnóstico das autoridades identifica zonas de acumulação de acidentes em diferentes provincias, dando nota que corredores como a EN-100, EN-120 e EN-230-principais rotas do transporte interprovincial que nos últimos meses registam elevadas taxas de acidentes -, "justificam acompanhamento prioritário".

Entre as cinco prioridades "para uma política de segurança rodoviária para 2027-2032", a UNITA defende também um transporte interprovincial mais seguro, salientando que milhares de angolanos dependem diariamente dos transportes coletivos interprovinciais.

"Quem compra um bilhete de autocarro não pode precisar de perguntar se o motorista dormiu. Não pode precisar de verificar se o extintor funciona. Não pode inspecionar os pneus antes de entrar (...). Isso é responsabilidade das empresas e responsabilidade de quem fiscaliza", frisou.

Levar o socorro mais perto do acidente (com uma rede de resposta rápida nos corredores rodoviários de maior risco), corrigir os "pontos negros" das estradas e educação rodoviária (com ações pedagógicas permanentes nas escolas e comunidades) constam ainda entre as prioridades defendidas pela UNITA.

A UNITA reconheceu ainda as medidas e recomendações plasmadas no Plano Nacional de Prevenção e Segurança Rodoviária 2023-2027 (elaborado pelo Governo angolano), defendendo, contudo, condições objetivas, incluindo a financeira, para a sua execução.

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Last modified on Quinta, 01 Outubro 2026 19:39