Intervindo no diálogo "África-Europa: Infraestruturas - Financiamento e Execução", promovido pela Porto Business School, o ministro salientou que o défice de financiamento de África para as infraestruturas está estimado entre 130 e 170 mil milhões de dólares, exortando os investidores a apostar no continente.
"Angola tem projetos, o que muitas vezes nos falta é o financiamento, é aí onde vemos também a União Europeia como um parceiro", apontou, notando que muitas vezes as prioridades traçadas pelo executivo angolano não são as mesmas dos financiadores, que têm as suas próprias regras.
O responsável defendeu que o financiamento deve abranger o ciclo total de vida dos projetos, desde a identificação e elaboração de estudos e projetos até à construção e manutenção.
"O financiamento deve cobrir identificação, elaboração de estudos e projetos, construção e sobretudo manutenção das infraestruturas e aí teríamos uma durabilidade muito maior", defendeu.
"Nós temos essas dificuldades", acrescentou, dando como exemplo as estradas.
Para Carlos Alberto dos Santos, a Europa também retira vantagens de uma maior aposta nas infraestruturas africanas, nomeadamente através do aumento do número de empresas europeias a exportar e a marcar presença nos países africanos, apontando o caso de Portugal em Angola.
O ministro destacou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola também está associado às infraestruturas, apontando como exemplos os benefícios do novo aeroporto e o Palácio das Convenções, em Luanda, bem como o lançamento de novas autoestradas, como a que deverá ligar o sul do país à Namíbia e o norte para aproximar à República Democrática do Congo.
Carlos Alberto dos Santos falou também do desafio da habitação, indicando que, desde 2011, o Estado construiu 350 mil casas, mas continuam a ser necessárias cerca de dois milhões de habitações para reduzir o défice habitacional, face ao crescimento da população.
O coordenador do Gabinete Central de Reformas e Projetos Estratégicos de Moçambique, João Machatine, trouxe ao encontro a perspetiva moçambicana, salientando que setores como a agricultura e o turismo, fortes apostas do executivo moçambicano, precisam de vias de acesso em condições e que estas representam também um fator de coesão nacional.
Falou igualmente das boas relações com Portugal, país que é também encarado como uma porta de entrada para investidores interessados nas oportunidades existentes em Moçambique.
"Estamos cientes que tudo só será possível com paz e segurança", sublinhou o responsável, acrescentando que há quase um ano que não se regista "o flagelo dos raptos" que contribuiam para afastar os investidores.
A disponibilização de divisas, prosseguiu, "é outro constrangimento que tem os dias contados", acrescentando que a realização atempada de projetos e estudos é essencial para a mobilização de recursos.
"Estamos a trabalhar com empresas de consultoria, algumas portuguesas, para pôr à disposição os projetos que consideramos estratégicos para mobilizar os recursos", afirmou.
Organizado pelo Africa Futures Center, da Porto Business School, o encontro reúne líderes políticos, empresariais e financeiros para promover o diálogo sobre os desafios e oportunidades ligados às infraestruturas em África, abordando o financiamento e a execução de projetos.

