Quarta, 09 de Setembro de 2026
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Quarta, 09 Setembro 2026 15:01

Sinprof sai de reunião com ministra da Educação “sem avanços” e mantém ameaça de greve

O encontro entre o Sindicato Nacional de Professores (Sinprof) angolano e a ministra da Educação, realizado hoje, terminou “sem avanços”, disse à lusa o secretário-geral da associação sindical.

O Sinprof convocou quatro períodos de greve, em Angola, o primeiro para 21 de setembro, em protesto contra o alegado incumprimento do acordo celebrado com o executivo, em janeiro.

Segundo o secretário-geral do Sinprof, Admar Jinguma, a ministra da Educação, Erika Aires, passou em revista os pontos do acordo, prestou alguma informação, “mas que acabaram por não ser novidade”.

Para o sindicalista, foi “um diálogo de surdos”, porque o Sinprof entende que o “diálogo só tem valor se no final do dia se repercute na resolução dos problemas dos professores”.

“Se é a mesmice, conversarmos e depois, na prática, fazem diferente, é mais um diálogo de surdos, e, obviamente, os professores já não estão interessados em ouvir as mesmas coisas. Numa só palavra, não tivemos avanços nesse encontro, não houve avanços”, vincou.

Sem querer avançar as informações prestadas pela entidade patronal antes do encontro com os associados, previsto para sábado, Admar Jinguma realçou que, se a decisão dos professores for em direção à greve, “como é mais expetável”, a direção do sindicato vai respeitá-la.

“Nós vamos passar a informação em primeira mão aos professores na reunião de sábado. Em Luanda, a reunião será no cine São João e nas outras capitais de província vai depender da indicação que os secretariados locais fizerem e depois isso caberá aos professores tomarem a decisão final”, referiu.

Admar Jinguma frisou que a direção do Sinprof vai respeitar “integralmente qualquer decisão” a ser tomada pelos professores.

A greve subdividida em quatro fases foi convocada pelo Sinprof, estando a primeira prevista para o período entre 21 de setembro e 15 de outubro, o segundo período de 02 a 18 de dezembro, o terceiro de 10 a 26 de fevereiro de 2027, e o quarto de 17 de maio e 18 de junho de 2027.

Em comunicado, o sindicato avançou que, “face aos incumprimentos e à violação dos termos do acordo celebrado a 08 de janeiro”, o Conselho Nacional do Sinprof decidiu decretar greve no ensino geral, técnico-profissional, formação de professores e educação de adultos.

A greve será antecedida, a 12 de setembro, de assembleias representativas em todas as capitais das 21 províncias de Angola.

Na reunião em que foi decidida a greve, a presidente do Sinprof, Hermínia Maria da Conceição Ferreira do Nascimento, citada no comunicado, afirmou que “o professor angolano está cansado de promessas não cumpridas”.

“Há três décadas que reivindicamos as mesmas questões, e é chegada a hora de respostas concretas”, apontou.

O Sindicato concluiu que “o Ministério da Educação violou parte substancial dos compromissos assumidos no Acordo celebrado a 08 de janeiro entre o executivo e o Sinprof, situação que compromete a valorização da carreira docente e fragiliza a confiança no executivo”.

O Sinprof reivindica o cumprimento do acordo no que se refere à “inclusão dos milhares de professores injustamente excluídos do Concurso de Ingresso Interno e de Acesso na fase das inscrições e na fase de seleção”.

Reclama a “reavaliação do processo pelas comissões nacionais conjuntas Ministério da Educação-Sinprof” e a “inserção, imediata, no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE), dos professores admitidos”.

O Conselho Nacional do Sinprof “manifesta a sua profunda preocupação e indignação perante a situação de milhares de crianças e adolescentes angolanos que, mais uma vez, se encontram impossibilitados de frequentar a escola por falta de vagas nas escolas públicas”.

Esta realidade representa, para o sindicato, “uma grave limitação ao exercício efetivo do direito à educação, que o Estado angolano tem a obrigação de garantir”.

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