Quinta, 23 de Julho de 2026
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Quinta, 23 Julho 2026 11:47

Higino Carneiro exige consulta às fichas apontadas como falsas e inválidas

O pré-candidato à liderança do MPLA Higino Carneiro reivindicou hoje acesso integral às mais de 2.000 mil fichas consideradas falsas e às mais de 9.000 indicadas como inválidas, após serem apontadas "graves irregularidades" na sua candidatura.

Segundo uma nota de imprensa do gabinete de assessoria e imprensa do pré-candidato ao cargo de presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder em Angola, a pretensão foi comunicada na reclamação dirigida à Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário, por orientação da subcomissão de candidaturas, "que se manifestou incompetente, em razão da matéria".

A subcomissão de candidaturas do MPLA anunciou na terça-feira ter considerado nula a candidatura de Higino Carneiro à presidência do partido, alegando "graves irregularidades" no processo entregue a 25 de junho, entre as quais assinaturas de "supostos militantes" não inscritos nos comités de ação do partido, cartões descontinuados com datas de emissão recentes, listas assinadas por uma única pessoa em nome de vários e bilhetes de identidade falsos.

"Precisamente por essa razão, a reclamação requer que seja facultado o acesso integral às 2.273 fichas consideradas falsas e às 9.659 fichas consideradas não válidas, em conformidade com o mapa anexo assinado pelo Coordenador da Subcomissão de Candidaturas, bem como que seja efetuada a confrontação de toda a documentação na presença do mandatário do pré-candidato", lê-se na nota.

Com este exercício, Higino Carneiro pretende "esclarecer, com absoluto rigor, a origem das situações referidas na informação tornada pública, permitindo, assim, identificar os verdadeiros responsáveis por quaisquer irregularidades eventualmente verificadas e, em consequência, assacar as correspondentes responsabilidades, nos termos da lei, dos estatutos e do regulamento eleitoral" do partido.

Na terça-feira, o coordenador da subcomissão de candidaturas, Job Capapinha, disse que uma das declarações de apoio atribuídas a Djamila Huguette da Silva de Almeida, membro do Bureau Politico do MPLA, foi desmentida pela mesma, e foi encontrado um bilhete de identidade falsificado, emitido em nome de Mateus Muanda.

"Consultado o nosso banco de dados sobre toda a documentação submetida pelo pré-candidato Francisco Higino Lopes Carneiro no ato da formalização da sua candidatura, realizada no dia 25 de junho de 2026, constatou-se que nenhum destes dois nomes consta das listas de subscritores entregues por esta candidatura", lê-se na nota.

"O pré-candidato entende que apenas através da transparência integral do processo será possível apurar os factos, proteger os direitos dos militantes que livremente subscreveram a candidatura e salvaguardar igualmente o bom nome de todos quantos participaram neste processo de forma isenta e honesta", acrescenta-se ainda no documento.

Das 19.158 fichas de subscrição que o mandatário da candidatura declarou ter entregado, a subcomissão apurou que constavam apenas 14.493, das quais 2.561 válidas (17,6%), 9.659 não válidas (66,6%) e 2.273 falsas (15,6%).

Job Capapinha disse que os factos, "passíveis de responsabilização criminal", serão submetidos aos órgãos competentes do partido.

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