Terça, 27 de Outubro de 2026
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Terça, 27 Outubro 2026 22:27

Angola, Moçambique e Guiné-Bissau entre os países abrangidos por índice internacional sobre autoritarismo

Angola, Moçambique e Guiné-Bissau estão entre os países classificados como regimes plenamente autoritários num relatório internacional que identifica a Rússia e a China como principais motores das redes de cooperação autoritária.

O Índice de Colaboração Autoritária, divulgado em Londres, analisa o período entre 1 de Março e 1 de Outubro de 2026 e acompanha 139 actores, entre países, governos e partidos políticos.

O documento identifica mecanismos de cooperação que incluem apoio militar, formação política e contactos diplomáticos, envolvendo governos e organizações que os investigadores classificam como autoritários ou com tendências autoritárias.

MPLA e FRELIMO citados em programas de formação

Entre os casos referidos estão programas de formação política promovidos pelo Partido Comunista do Vietname junto do MPLA, em Angola, e da FRELIMO, em Moçambique.

Segundo o relatório, estas iniciativas integram as relações de cooperação entre partidos no poder e organizações estrangeiras.

A inclusão dos dois partidos surge no contexto da análise das ligações políticas internacionais, não permitindo, por si só, concluir que todas as suas relações externas tenham a mesma natureza ou finalidade.

Rússia reforça influência militar em Moçambique

O relatório aponta Moscovo como um dos actores que procura ampliar a sua influência em África através do fornecimento de armas, formação militar e envio de efectivos.

Moçambique é apresentado como exemplo desta estratégia. Segundo o documento, o país recebeu armamento e formação militar russos para combater grupos insurgentes no Norte, particularmente em Cabo Delgado.

A investigação enquadra esta assistência numa estratégia mais ampla de aproximação política e militar entre a Rússia e governos africanos.

Angola, Moçambique e Guiné-Bissau na classificação

A análise utiliza como referência o Tyranny Tracker (Rastreador de Tiranias), da Fundação dos Direitos Humanos (HRF), que avalia a liberdade política em 179 países e territórios.

Segundo a plataforma, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau estão classificados como regimes plenamente autoritários. Portugal, Brasil e Timor-Leste surgem como democracias, enquanto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe não constam da classificação.

A avaliação baseia-se em indicadores relacionados com a competição eleitoral, as liberdades políticas e a responsabilização institucional, correspondendo à metodologia adoptada pela organização.

Navalnaya alerta para cooperação entre ditaduras

Durante a apresentação do relatório, a opositora russa exilada Yulia Navalnaya afirmou que os regimes autoritários estão a tornar-se mais sofisticados e a reforçar a cooperação internacional.

«No século XXI, os ditadores tornaram-se mais inteligentes e mais astutos. Aprendem uns com os outros, trabalham em conjunto e ajudam-se mutuamente», declarou.

Viúva do opositor russo Alexei Navalny, a activista alertou para a utilização dos sistemas financeiros e jurídicos ocidentais para contornar sanções e reprimir opositores.

Navalnaya defendeu que o combate ao autoritarismo exige investigação rigorosa e cooperação entre os defensores da democracia.

O índice, desenvolvido pela HRF em parceria com a organização Action for Democracy (A4D), procura mapear relações transnacionais entre governos e partidos, incluindo alianças políticas na Europa e ligações entre a Rússia e formações partidárias estrangeiras.

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