Do encontro resultou a decisão de unir esforços para a criação de uma plataforma de concertação política, concebida para defender a cidadania, o Estado Democrático de Direito e a credibilidade das próximas eleições gerais.
Participaram na reunião os presidentes da UNITA, Adalberto Costa Júnior, do RENOVA Angola, Manuel Fernandes, do PNSA, Sikonda Alexandre, e do PPA, Eduardo Garcia. Estiveram igualmente presentes João Nsumbo, em representação do PDP-ANA, Benedito Daniel, presidente do PRS, e Filomeno Vieira Lopes, líder do Bloco Democrático, acompanhados por dirigentes e responsáveis parlamentares.
Os relatos de confrontos e episódios de violência ocorridos no Uíge estiveram no centro das discussões. Segundo as forças da oposição, os incidentes envolveram efectivos da Polícia Nacional durante actividades políticas.
Os dirigentes ouviram uma exposição sobre os acontecimentos antes de adoptarem uma posição conjunta, manifestando preocupação com o impacto dos episódios no ambiente de reconciliação nacional e na confiança dos cidadãos nas instituições.
Perante a gravidade das denúncias, os partidos defenderam o apuramento rigoroso das responsabilidades civis e criminais, através de investigações independentes. Exortaram igualmente o Executivo a assegurar a neutralidade das forças de defesa e segurança, sustentando que a utilização do aparelho do Estado para fins partidários pode comprometer a igualdade de condições na competição política.
A actuação da comunicação social pública foi outro dos pontos de crítica dos líderes partidários. As formações reunidas acusaram os órgãos estatais de falta de isenção, contraditório e pluralismo na cobertura dos acontecimentos do Uíge.
Os partidos defenderam que a cobertura jornalística das actividades políticas deve garantir tratamento equitativo aos diferentes actores e respeitar os princípios constitucionais e legais aplicáveis à comunicação social.
Na declaração conjunta, os dirigentes manifestaram solidariedade para com as vítimas dos confrontos e respectivas famílias. Ao mesmo tempo, apelaram à população para preservar a tolerância, o diálogo e a convivência pacífica, sublinhando que as divergências políticas não devem transformar-se em violência.
A principal deliberação do encontro foi a proposta de criação de um mecanismo alargado de concertação que possa incluir todas as forças políticas representativas, incluindo o partido no poder. A plataforma deverá funcionar como espaço de diálogo, prevenção e mediação de conflitos antes, durante e depois das próximas eleições gerais.
A iniciativa pretende também deslocar o debate dos confrontos políticos pontuais para uma discussão mais ampla sobre as regras do jogo democrático, procurando criar mecanismos de acompanhamento capazes de reforçar a confiança nas instituições responsáveis pela organização e condução do processo eleitoral.
Os acontecimentos registados no Uíge e a reacção conjunta dos partidos da oposição voltam a colocar em evidência os desafios relacionados com a gestão do espaço público, a actuação das forças de segurança e o respeito pelas garantias constitucionais.
O eventual apuramento das responsabilidades pelas ocorrências será acompanhado com atenção pelas forças políticas envolvidas, num contexto de crescente preparação para o próximo ciclo eleitoral.
A mensagem transmitida pelos dirigentes é que a disputa pelo poder deve decorrer dentro dos parâmetros legais, com respeito pelos direitos fundamentais, pela paz social e pelos princípios do Estado Democrático de Direito.

