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Terça, 11 Agosto 2026 13:21

Marcolino Moco: "O MPLA pensa que só ele pode fazer política e ganhar eleições"

Luanda — O antigo primeiro-ministro angolano e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, acusou setores ligados ao partido no poder de alimentarem uma "xenofobia política" em Angola, numa reação aos confrontos registados no sábado junto à sede provincial da UNITA, no Uíge.

Numa publicação na sua página, intitulada “Xenofobia política no Uíge e na Angola toda, continua...”, Marcolino Moco criticou o que considera ser uma atitude de exclusão política por parte de setores do MPLA, afirmando que, mais de duas décadas depois do fim da guerra civil, ainda existem angolanos ligados ao partido que entendem que apenas o MPLA pode governar e vencer eleições.

"Mas esta febre de alguns angolanos que, mesmo depois da paz de 2002, agarrados à sigla MPLA, ainda pensam que só eles podem fazer política e ganhar eleições, mesmo gerindo tão mal o país, durante tanto tempo, como se chama, senão xenofobia também?", escreveu.

O antigo primeiro-ministro começou por estabelecer um paralelo com outras formas de xenofobia no mundo, considerando fácil denunciar a discriminação contra africanos na Europa, sobretudo perante a ascensão de movimentos de direita ultranacionalista em algumas sociedades ocidentais.

Moco referiu igualmente a xenofobia na África do Sul pós-apartheid, que descreveu como uma realidade de "pretos contra pretos", defendendo que as razões desse fenómeno devem ser devidamente avaliadas.

Na sua análise, o problema em Angola assume uma dimensão política e ultrapassa a relação entre o MPLA e os partidos da oposição. Segundo Moco, a lógica de exclusão também se manifesta dentro do próprio partido no poder.

"E uma xenofobia que, ainda por cima, se entrincheira à volta de quem julgam homem único, excluindo 'os outros', mesmo dentro da própria sigla, comprometendo o futuro de todos, até deles próprios?", questionou.

O antigo dirigente do MPLA considerou que esta dinâmica acaba por comprometer o futuro do país, incluindo o daqueles que beneficiam da estrutura política que critica.

Moco defendeu ainda a rejeição do que classificou como uma utilização "unilateral" das instituições do Estado, associando essa prática à ausência de uma verdadeira paz e reconciliação nacionais.

"Devemos todos recusar esta utilização unilateral das instituições por compatriotas nossos, cuja recusa duma verdadeira paz e reconciliação nacionais vai arruinando, aos olhos de todos, a vida em Angola!", escreveu.

As declarações surgem depois dos confrontos registados no sábado junto à sede provincial da UNITA, no Uíge, durante uma intervenção da Polícia Nacional para impedir a realização de uma atividade político-partidária.

Segundo um balanço divulgado pela UNITA, pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, dez das quais com gravidade, na sequência da intervenção policial.

A Polícia Nacional apresentou uma versão diferente dos acontecimentos. Segundo a corporação, as autoridades administrativas locais tinham orientado a alteração do local previsto para a realização do ato político da UNITA.

A polícia afirmou que os organizadores não acataram a orientação e concentraram-se nas proximidades do Tribunal da Relação do Uíge, local que, segundo as autoridades, é proibido por lei para a realização daquele tipo de atividade.

Perante o incumprimento, a Polícia Nacional afirmou ter procedido à dispersão dos manifestantes, recorrendo a "força moderada" e "meios não letais".

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