Contudo, a transformação digital está a alterar profundamente esta realidade, colocando as relações públicas no centro das estratégias de comunicação das organizações.
No livro The Fall of Advertising and the Rise of PR, Al Ries e Laura Ries defendem que as relações públicas podem desempenhar um papel mais determinante do que a publicidade na construção de marcas, sobretudo pela sua capacidade de gerar credibilidade e reconhecimento público.
Na era digital, esta ideia ganha particular relevância. O consumidor já não é apenas um receptor passivo de mensagens publicitárias. Com acesso às redes sociais, aos meios de comunicação digitais e às plataformas de avaliação, tornou-se também produtor e difusor de informação, capaz de influenciar a reputação de empresas, instituições e figuras públicas.
A publicidade, tradicionalmente dependente da televisão, da rádio e dos jornais, passou a dispor de novos canais digitais, mais acessíveis e segmentados. Esta mudança democratizou o acesso à divulgação comercial, permitindo que pequenas empresas e empreendedores concorram pela atenção do público sem depender exclusivamente dos elevados custos dos meios tradicionais. No entanto, a maior facilidade de anunciar também aumentou a concorrência pela atenção dos consumidores e tornou a credibilidade um factor decisivo.
A publicidade permite comprar espaço, visibilidade e atenção. As relações públicas, por sua vez, procuram conquistar confiança, estabelecer relações e construir uma reputação sustentável. Uma marca pode investir milhões em publicidade, mas, se não conseguir transmitir credibilidade, dificilmente consolidará uma relação duradoura com o seu público.
Isto não significa que a publicidade tenha perdido a sua importância. Significa, antes, que a sua eficácia depende cada vez mais de um ambiente de confiança. As organizações que compreendem esta mudança deixam de se preocupar apenas com aquilo que dizem sobre si próprias e passam a valorizar aquilo que o público pensa, sente e comunica a seu respeito.
Em Angola, onde empresas e instituições procuram afirmar a sua presença no espaço digital, as relações públicas representam uma oportunidade estratégica. Mais do que promover produtos e serviços, é necessário comunicar resultados, prestar esclarecimentos, assumir responsabilidades e construir relações de confiança com a sociedade.
A verdadeira transformação não consiste no desaparecimento da publicidade, mas na ascensão da credibilidade como activo estratégico das organizações. Enquanto a publicidade procura conquistar atenção através da divulgação de mensagens, as relações públicas procuram construir legitimidade através do relacionamento com os diferentes públicos. Quando articuladas, ambas podem reforçar a visibilidade, a reputação e o crescimento das organizações.
No futuro da comunicação, não bastará ser visto. Será necessário ser acreditado.
Por Tomás Alberto

