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Quinta, 01 Outubro 2026 18:50

Angola tem 18 lares para acolher perto de 1,5 milhões de idosos, denuncia UNITA

O principal partido da oposição angolana, UNITA, denunciou hoje que Angola tem apenas 18 lares para perto de 1,5 milhões de idosos, em apenas 11 das 19 províncias.

Os dados foram avançados pelo presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto Costa Júnior, numa mensagem a propósito do Dia Mundial do Idoso, celebrado hoje a nível mundial.

“Não basta homenagear, é preciso agir”, defende o líder da oposição, que descreve a situação do país como “uma realidade que envergonha qualquer sociedade que se diz humana”, com “a maioria dos idosos abandonada à sua sorte” e sem “política pública estruturante” ou “rede de apoio” aos mais velhos.

Adalberto Costa Júnior cita dados do censo de 2024 que “contabilizou 1.466.060 angolanos com 65 ou mais anos, representando cerca de 4% da população nacional”, o dobro de 2014.

“As projeções indicam que atingirá 6,4% até 2050, contudo, o país continua a responder a esta realidade demográfica com 18 lares de acolhimento distribuídos por 11 províncias, assistindo apenas 852 idosos”, apontou.

O líder político pergunta quem garante alimentação, medicamentos e companhia aos restantes, indicando que “muitos idosos angolanos não têm rede de apoio, padecem de enfermidades crónicas” e “são abandonados à sua sorte, tratados como um fardo social descartável”.

A própria capital, Luanda, “tem apenas o Beiral — fundado em 1953, no tempo colonial, com cerca de 146 residentes, como principal referência de acolhimento no país”, acrescenta.

O presidente da UNITA alerta que “cerca de treze milhões de trabalhadores exercem atividades informais em Angola”, que “significa que 8 em cada 10 trabalhadores vivem sem contrato, sem proteção social, sem reforma, sem segurança para o amanhã”.

“Sem contribuição, não há reforma. Sem reforma, a velhice transforma-se em miséria”, refere.

A UNITA defende a criação de um Plano Nacional para o Envelhecimento Digno para a próxima década, 2027–2037, com centros de acolhimento da comuna às grandes cidades.

Especifica que a meta deste plano seria “um centro por município até 2032, com capacidade mínima de 50 camas, serviços médicos, fisioterapia e apoio psicológico”.

Adalberto Costa Júnior defende a criação de um complemento financeiro para idosos em situação de pobreza extrema e um programa de transferência social para idosos sem reforma.

Propõe ainda serviços comunitários de proximidade que garantam refeições e apoio ao domicílio, assim como a construção de centros de dia nas comuns.

A UNITA defende também o combate ao abandono e à acusação de feitiçaria que atinge os idosos e pede a revisão do sistema de pensões com o alargamento da cobertura mínima a todos com mais de 65 anos, independentemente do histórico contributivo.

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Last modified on Quinta, 01 Outubro 2026 19:23

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