Na nota pastoral dos bispos da CEAST sobre os últimos acontecimentos em Angola, no Uíje, Cazombo e outros lugares, os prelados manifestaram profunda preocupação com desentendimentos, conflitos, atos de intolerância e violência que terminam "em ferimentos graves e tragédias humanas".
Os bispos referiam-se ao incidente ocorrido este mês no Uíje, quando militantes da UNITA, maior partido da oposição angolana, pretendiam realizar um ato político, para celebrar o 92.º aniversário do líder fundador desta organização política, Jonas Savimbi, mas foram impedidos pela Polícia, resultando em feridos em ambas as partes envolvidas.
Também este mês, no Cazombo, província de Moxico-Leste, os tumultos aconteceram quando a Polícia interveio para impedir o sepultamento do Rei Lunda-Ndembu, Nkaka Chinunki Mukanda Nkunda, de 96 anos, junto à sua residência, seguindo a tradição.
Segundo os bispos, esses episódios geram danos físicos, emocionais e espirituais, além de abalarem o próprio sentido de nação que se aspira construir.
"Assim, choca-nos profundamente os recentes acontecimentos que tiveram lugar no corrente mês no Uíje, no Cazombo e outros similares, mesmo se nem todos tivessem beneficiado do mesmo destaque nos meios de comunicação social", lê-se na nota.
Para os bispos, os referidos "acontecimentos chocantes" tornam clara a urgência de se eliminar as suas causas ou prevenir que se repitam.
"Por essa razão, expressamos a nossa total repulsa", vincaram os bispos, que pediram às autoridades e a todos envolvidos para que, "guiados pelo espírito de justiça restaurativa, não meçam esforços para mitigar os impactos desses acontecimentos e das feridas abertas".
"Assim, apelamos aos partidos políticos, em especial ao MPLA e UNITA, que estabeleçam nas capitais provinciais, nos municípios e nas comunas, mecanismos céleres e funcionais e resolução e conflitos", exortam os bispos.

