Em declarações recentes, Ndonda Nzinga afirmou que a orientação da actual direcção estará centrada nos recursos financeiros associados às eleições gerais de 2027. O dirigente questionou ainda a falta de esclarecimentos públicos, por parte do presidente da FNLA, sobre o relatório relativo aos custos suportados pelo partido durante o processo eleitoral de 2022.
Segundo Ndonda Nzinga, a resolução da crise interna que atravessa a organização deve caber aos próprios militantes, através dos mecanismos previstos na lei e nos estatutos do partido.
"E quem deve contornar são os militantes, através de meios legais. Esses meios legais estão estabelecidos nas leis, portanto, e nos estatutos", afirmou.
O dirigente manifestou, ainda assim, confiança no futuro eleitoral da FNLA, defendendo que o partido poderá reforçar a sua representação parlamentar. "A FNLA estará lá, poderá ver o número de deputados no sentido ascendente. Repito em letras maiúsculas e sublinhadas: é sentido ascendente. Quem viverá, verá", garantiu.
Braço de ferro chegou ao Tribunal Constitucional
A disputa interna na FNLA arrasta-se há vários anos e já foi levada ao Tribunal Constitucional, que se pronunciou sobre a legitimidade da direcção do partido. O órgão rejeitou o prolongamento do mandato de Nimi a Simbi à frente da FNLA e intimou-o a convocar o 6.º congresso ordinário, sem adiamentos, em conformidade com os estatutos e demais normas legais aplicáveis.
As críticas de Ndonda Nzinga surgem, precisamente, num momento em que a preparação do próximo congresso volta a colocar a liderança da organização no centro das atenções. O actual presidente, que tem desvalorizado as críticas provenientes deste grupo de militantes, pondera recandidatar-se à liderança do partido.
O congresso está previsto para Setembro deste ano, altura em que os militantes deverão pronunciar-se sobre a liderança e os próximos passos da FNLA.
A disputa em torno da direcção, a preparação do congresso e as divergências sobre o rumo da organização mantêm, assim, a FNLA mergulhada num clima de forte tensão interna, a poucos meses de um novo ciclo eleitoral.

