De acordo com o Relatório e Contas da empresa, consultado pelo Valor Económico, a transportadora pública passou de 52,6 milhões de passageiros em 2024 para apenas 25,8 milhões em 2025, uma redução que reflecte o acentuado declínio da sua capacidade operacional e das receitas geradas pela actividade.
O desempenho financeiro acompanhou esta deterioração. Depois de ter encerrado 2024 com um lucro líquido de 693,7 milhões de kwanzas, a TCUL registou, no exercício seguinte, um prejuízo líquido superior a 3 mil milhões de kwanzas, apesar de ter reduzido os custos operacionais em 11,7%. A diminuição das despesas revelou-se insuficiente para compensar a quebra das receitas.
As contas da empresa evidenciam igualmente um agravamento da sua situação patrimonial. O capital próprio terminou o exercício em terreno negativo, fixando-se abaixo de 6,18 mil milhões de kwanzas negativos, enquanto o passivo ultrapassou o valor dos activos, colocando a transportadora numa posição de elevada fragilidade financeira.
No relatório, a administração reconhece que a empresa enfrenta uma situação "crítica" em matéria de fundo de maneio, autonomia financeira e solvabilidade, admitindo que a sua estrutura financeira se encontra "extremamente fragilizada".
Menos autocarros, menos passageiros
A redução da capacidade operacional foi um dos principais factores que contribuíram para a quebra da procura.
Segundo o documento, a frota média de autocarros em circulação caiu 20%, passando de 156 para 125 viaturas. Esta redução provocou uma diminuição de 12% nos quilómetros percorridos, ao mesmo tempo que o indicador de passageiros transportados por quilómetro registou uma quebra de 44%, evidenciando uma utilização significativamente inferior da rede de transporte.
Mais trabalhadores e aumento da massa salarial
Apesar da redução da frota e da diminuição da actividade, a empresa reforçou o seu quadro de pessoal.
A TCUL terminou 2025 com 1.796 trabalhadores, mais 74 funcionários do que no ano anterior, representando um crescimento de 4% do efectivo.
O aumento do número de colaboradores traduziu-se num crescimento expressivo da massa salarial, que ascendeu a cerca de 7 mil milhões de kwanzas, agravando a pressão sobre as contas da empresa numa altura em que as receitas registavam uma forte contracção.
Segundo o Valor Económico, a combinação entre a quebra da procura, a redução da frota operacional e o aumento dos encargos com pessoal contribuiu para o agravamento dos prejuízos e para a situação de insolvência contabilística em que a transportadora pública se encontra actualmente.
O exercício de 2025 confirma, assim, uma deterioração acentuada dos indicadores operacionais e financeiros da TCUL, levantando novos desafios quanto à sustentabilidade da principal empresa pública de transporte urbano de passageiros em Luanda.

