"Houve uma situação, um mal-entendido. Um dos partidos políticos queria realizar o ato defronte aos órgãos de soberania, que é um local impróprio, o tribunal da comarca. Automaticamente, acionaram-se as forças para que se impedisse a realização desse ato nesse local", afirmou o chefe do departamento de comunicação institucional da polícia na província do Uíge, em declarações à Televisão Pública de Angola (TPA).
O superintendente-chefe Luís Freitas Jamba sustentou que o partido fora encaminhado para outro local considerado apropriado, sem precisar qual, e dirigiu igualmente críticas à oposição.
"Também não é justo fechar ruas - independentemente de estar defronte a um tribunal - para realizar um ato político", prosseguiu o responsável policial, apelando aos "simpatizantes e membros dos partidos políticos" que evitem esse tipo de comportamento.
As declarações surgem em reação aos acontecimentos que o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, descreveu como "um estado de guerra", depois de a sede do partido no Uíge ter sido cercada e de ter sido lançado gás lacrimogéneo contra militantes, num incidente que fez pelo menos dois feridos.
O maior partido da oposição angolana denunciou hoje um "atentado" contra o deputado e secretário-geral da JURA, Nelito Ekuikui, que disse ter escapado ileso do ataque. Segundo o relato de Ekuikui à Lusa, a polícia fechou de manhã as ruas, cercou a sede e começou a disparar gás lacrimogéneo e, alegadamente, "balas reais".
Costa Júnior anunciou entretanto o adiamento do ato central que estava previsto para hoje, no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador do partido, Jonas Malheiro Savimbi, mas garantiu que o partido vai regressar e realizar a iniciativa posteriormente.
Os incidentes do Uige inscrevem-se num quadro de tensão política numa altura em que Angola se prepara para o congresso que vai eleger um novo presidente para o partido do poder, o MPLA, e se aproximam as eleições gerais de 2027.
A UNITA queixou-se de intolerância política e criticou o recurso às forças de segurança para condicionar a atividade dos adversários, enquanto as autoridades alegam que o partido da oposição não acatou as orientações dadas.

