Domingo, 09 de Agosto de 2026
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Domingo, 09 Agosto 2026 14:17

Bloco Democrático exige responsabilização por repressão policial contra a UNITA

O Bloco Democrático exigiu hoje uma investigação transparente à intervenção da polícia angolana no Uíge contra militantes UNITA, que classificou como “brutal repressão” e apelou à responsabilização dos autores.

Num comunicado, a Comissão Política Permanente do partido afirmou que a repressão fez “cerca de dezenas de feridos graves”, vítimas de disparos com “balas reais”, bastonadas e gás lacrimogéneo, denunciando o que classificou como um “estado de sítio não declarado” que impediu a circulação de pessoas e a atividade comercial na cidade.

O partido exigiu o esclarecimento imediato das circunstâncias que levaram à restrição das atividades da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e do seu braço juvenil, a JURA, uma investigação transparente aos alegados disparos e ferimentos e a responsabilização dos eventuais autores “nos termos da lei”.

O BD condenou ainda qualquer uso “desproporcional” da força, defendeu a liberdade de imprensa — repudiando atos de intimidação ao trabalho dos jornalistas no local — e apelou às autoridades provinciais e nacionais para garantirem a neutralidade das instituições públicas perante todos os partidos.

A Comissão Política Permanente exortou também cidadãos e forças políticas à serenidade, para evitar atos de violência que agravem a situação, e apelou à criação de um sistema de comunicação entre dirigentes partidários que permita desanuviar rapidamente episódios de intolerância política.

O BD referiu ainda que, dias antes, militantes da juventude do Movimento Popular de Libertação de Angola (no poder) se deslocaram ao acampamento da JURA, no município do Negage, “num ato de provocação” e defendeu que o Estado indemnize os cidadãos afetados.

O partido responsabilizou o executivo pela situação, considerando a Polícia Nacional “apenas o braço armado”, e sustentou que os factos indiciam “uma tentativa do poder criar instabilidade no país” para condicionar as eleições gerais de 2027 e criar “um quadro de intervenção militar” que impeça o voto.

Os incidentes ocorreram na sexta-feira, quando a Polícia Nacional barrou as ruas de acesso e tomou medidas para impedir a receção do líder da UNITA à chegada à cidade, e no sábado, quando foi cercada a sede provincial do partido da oposição angolana onde estava previsto um ato político do maior partido da oposição.

Segundo o relato à Lusa do secretário-geral da JURA, Nelito Ekuikui — que disse ter sido alvo de um atentado —, a polícia começou por volta do meio-dia a disparar gás lacrimogéneo e “balas reais”, registando-se pelo menos dois feridos.

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, que se encontrava na cidade desde sexta-feira, acusou as autoridades locais de criarem um “estado de guerra” no Uíge e acabou por adiar o ato central, que pretendia assinalar o 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi, e teria como principal orador Costa Júnior.

A Polícia Nacional justificou a intervenção com a tentativa da UNITA de realizar uma atividade partidária em “local impróprio”, junto ao tribunal da comarca, considerando também reprovável o fecho de ruas para atos políticos.

Angola aproxima de um novo ciclo eleitoral, antecedido, em dezembro, pelo congresso que vai eleger o novo presidente do MPLA, e tem eleições gerais previstas para 2027.

O Bloco Democrático foi parceiro da UNITA na Frente Patriótica Unida (FPU), plataforma política da oposição criada em outubro de 2021 e que concorreu às eleições gerais de 2022 sob a liderança de Adalberto Costa Júnior.

Além do BD, a plataforma incluía o PRA JÁ Servir Angola, de Abel Chivukuvuku, que anunciou a saída da FPU em maio de 2025, após a sua legalização como partido, para concorrer isoladamente em 2027.

O escrutínio de 2022 foi ganho pelo MPLA, com cerca de 51% dos votos, num resultado contestado pela UNITA, que obteve o melhor resultado de sempre.

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Last modified on Domingo, 09 Agosto 2026 14:37