Quinta, 23 de Julho de 2026
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Quarta, 22 Julho 2026 23:24

Higino Carneiro promete contestar anulação da candidatura e acusa "malfeitores" no MPLA

O antigo general Higino Carneiro apelou à calma dos seus apoiantes e garantiu que irá contestar a decisão que anulou a sua candidatura à presidência do MPLA, defendendo que as alegadas irregularidades apontadas pela subcomissão de candidaturas são passíveis de correção e não justificam a nulidade do processo.

Num áudio amplamente divulgado pela imprensa angolana, gravado após o anúncio da anulação da sua candidatura, Higino Carneiro afirmou que a sua equipa está a preparar um documento para solicitar esclarecimentos ao partido, sublinhando que o prazo para validação das candidaturas decorre até 25 de Outubro.

"A primeira posição é de calma, não é de desalento. As subscrições terminam a 25 de Outubro. Não pode haver nulidade por se terem encontrado irregularidades no processo. Irregularidades podem ser superadas", afirmou.

O antigo candidato à liderança do MPLA disse ainda que a sua prioridade continua a ser a preservação da unidade do partido, mas defendeu que é necessário enfrentar aqueles que, na sua opinião, prejudicam a organização.

"Nós queremos preservar a unidade, defender os princípios e os valores do partido, mas temos de combater as injustiças, os malfeitores que estão dentro do partido, que provocam toda essa desgraça nacional", declarou.

Higino Carneiro incentivou igualmente os subscritores da sua candidatura a manifestarem-se publicamente, considerando que a reação dos militantes poderá demonstrar que não existiu qualquer falsificação das assinaturas apresentadas.

Segundo o antigo general, os números divulgados pela subcomissão de candidaturas levantam dúvidas sobre o processo de validação das fichas de subscrição, apontando discrepâncias significativas entre o número de documentos entregues pelas estruturas provinciais e o reduzido número de assinaturas consideradas válidas.

"A Huíla entregou quase mil fichas e apenas cerca de 20 foram validadas. O Cuanza-Sul entregou cerca de 1.400 e nenhuma foi validada. O Huambo apresentou mais de 1.600 e apenas algumas dezenas foram aceites. Há todo um conjunto de maldade que tem de ser desmontado, não só juridicamente e tecnicamente, mas também através da pressão dos subscritores que apoiaram a candidatura", afirmou.

Na terça-feira, a subcomissão de candidaturas do MPLA anunciou a anulação da candidatura de Higino Carneiro, alegando a existência de "graves irregularidades" na documentação submetida a 25 de Junho.

Entre as irregularidades identificadas figuram assinaturas de alegados militantes que não constam dos Comités de Acção do Partido (CAP), utilização de cartões de militante descontinuados com datas de emissão recentes, listas subscritas por uma única pessoa em nome de vários militantes e ainda a apresentação de bilhetes de identidade considerados falsos.

De acordo com os dados apresentados pela subcomissão, das 19.158 fichas de subscrição que o mandatário da candidatura afirmou ter entregue, apenas 14.493 foram contabilizadas. Destas, 2.561 foram consideradas válidas, o equivalente a 17,6%, enquanto 9.659 foram classificadas como inválidas e 2.273 como falsas.

O presidente da subcomissão de candidaturas, Job Capapinha, afirmou que os factos apurados poderão configurar responsabilidade criminal, adiantando que o processo será remetido aos órgãos competentes do partido para os procedimentos considerados adequados.

O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda, sob o lema "MPLA 70 Anos – Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro", devendo reunir cerca de três mil delegados provenientes de todo o país.

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