O MPLA reconheceu ter havido um equívoco na entrega de fichas de inscrição aos órgãos de comunicação social, nas quais constava a exigência do número do Comité de Acção do Partido (CAP) para o credenciamento dos jornalistas que pretendem acompanhar o 9.º Congresso Ordinário, agendado para Dezembro.
A reacção do partido surge depois da divulgação de uma notícia que dava conta da inclusão daquele requisito na ficha disponibilizada aos profissionais da comunicação social, situação que gerou preocupação e algum mal-estar nas redacções de diversos órgãos.
Numa mensagem de esclarecimento enviada ao Novo Jornal, o secretário do Bureau Político para a Informação e Propaganda do MPLA, Esteves Hilário, afirmou que a situação resultou de um engano, explicando que o documento entregue aos órgãos de comunicação social correspondia, afinal, à ficha destinada aos militantes do partido.
«Só para esclarecer que houve um equívoco. Foi entregue a ficha de militantes aos órgãos de comunicação social. Vocês vão receber um link para fazer a inscrição. Não haverá inscrição física para jornalistas», esclareceu o responsável.
Esteves Hilário garantiu, assim, que o processo de credenciamento dos jornalistas será realizado através de uma plataforma online, sem necessidade de preenchimento físico de fichas ou indicação do número do CAP.
O esclarecimento surge depois de vários profissionais terem manifestado reservas relativamente à exigência, considerando que a identificação da militância partidária não deve constituir um critério para o exercício da actividade jornalística ou para o acesso à cobertura de iniciativas político-partidárias.
A situação levou também o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) a condenar a exigência, tendo o secretário-geral da organização, Pedro Miguel, defendido que nenhum partido político deve solicitar o número do CAP ou o cartão de militante como condição para permitir a cobertura das suas actividades.
O sindicato considerou ainda que a exigência poderia colidir com os princípios estabelecidos no Estatuto do Jornalista e no Código de Ética e Deontologia Profissional, tendo instruído os profissionais a não preencherem o campo referente ao número do CAP.
Com o esclarecimento agora apresentado por Esteves Hilário, o MPLA afasta a necessidade de os jornalistas identificarem uma eventual ligação à estrutura partidária para efeitos de credenciamento, atribuindo a situação à entrega indevida de um formulário destinado aos militantes.
Fica, assim, esclarecido que os profissionais da comunicação social deverão aguardar pelo envio do link para efectuarem a inscrição online para a cobertura do 9.º Congresso Ordinário do partido.

