O relatório aponta para uma recuperação gradual do continente nesta matéria, após vários anos de retrocessos, embora alerte que a confiança dos cidadãos nas medidas adoptadas pelos governos continua a revelar-se reduzida.
Os dados, que analisam a evolução dos países africanos entre 2016 e 2025, mostram que a pontuação média do continente no indicador de combate à corrupção passou de 38,6 para 39,1 pontos. Apesar de o aumento ser de apenas meio ponto, a Fundação Mo Ibrahim considera que representa uma mudança de tendência, uma vez que o desempenho africano registou uma queda entre 2016 e 2020, seguida de uma recuperação sustentada nos últimos anos.
Entre os países que mais evoluíram neste período destacam-se as Seicheles, Angola, Chade, Somália e Togo. No caso angolano, o relatório coloca o país entre os maiores progressos do continente, evidenciando uma melhoria dos mecanismos de prevenção e combate à corrupção ao longo da última década.
A Fundação destaca igualmente o caso da Somália, que, apesar de continuar entre os países com pior classificação em matéria de governação, registou uma das maiores evoluções no período analisado, demonstrando que mesmo Estados com instituições mais frágeis podem alcançar melhorias significativas.
Em sentido contrário, Comores, Libéria, África do Sul, Níger e Botswana surgem entre os países que mais perderam terreno desde 2016. O relatório chama particularmente a atenção para o Botswana, considerado durante anos uma referência continental em matéria de boa governação, mas que tem registado uma deterioração dos seus indicadores, embora permaneça entre os dez países africanos mais bem classificados.
No plano regional, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), organização da qual Angola faz parte, lidera o continente com a melhor pontuação média em matéria de combate à corrupção, alcançando 44,5 pontos em 2025. No extremo oposto surge a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), com uma média de 26,9 pontos. Já a União do Magrebe Árabe (UMA) destacou-se como o bloco regional que mais rapidamente evoluiu, com todos os seus Estados-membros a registarem melhorias durante a última década.
Entre os indicadores analisados, o combate à corrupção no sector privado foi o que apresentou a evolução mais positiva. Em contrapartida, a percepção dos cidadãos sobre a eficácia das políticas anti-corrupção deteriorou-se ao longo dos últimos anos, ainda que o relatório assinale uma ligeira recuperação após o ponto mais baixo registado em 2022.
As conclusões preliminares do IIAG 2026 sugerem que os países africanos têm vindo a reforçar os mecanismos institucionais de fiscalização e responsabilização, mas salientam que o principal desafio continua a ser converter esses avanços em maior confiança por parte da população.
O relatório completo do Índice Ibrahim de Governação Africana 2026 deverá ser divulgado a 31 de Outubro, trazendo uma avaliação mais detalhada da evolução dos indicadores de governação em todo o continente.

