Sexta, 10 de Julho de 2026
Follow Us

Sexta, 10 Julho 2026 16:37

Alegado cérebro do assalto ao BAI confessa crime e diz ter planeado ataque durante oito meses

O alegado mentor do assalto à agência do Banco Angolano de Investimentos (BAI), na Cidadela Desportiva, confessou o crime após ser detido. O suspeito revelou detalhes sobre a preparação do roubo, que resultou na morte de um segurança e no roubo de cerca de nove milhões de kwanzas.

Um homem identificado como Edson Euclides Simão de Andrade assumiu, durante um interrogatório divulgado após a sua detenção, ser o autor intelectual do assalto à agência do banco BAI em Luanda, ocorrido na manhã de 8 de Julho. Segundo as declarações do suspeito, o golpe — que rendeu cerca de nove milhões de kwanzas — foi meticulosamente preparado ao longo de vários meses, baseando-se exclusivamente na observação da rotina do local.

O detido explicou que a ideia surgiu ao notar, no decorrer do seu dia a dia, a chegada semanal da viatura de transporte de valores à dependência bancária. A partir desse momento, Edson Andrade terá monitorizado a movimentação durante um período de seis a oito meses para mapear horários, o fluxo de funcionários e as falhas na segurança.

"Fiquei surpreendido porque só havia três seguranças e apenas um estava armado. A partir daí comecei a estudar a operação durante vários meses", declarou o suspeito no interrogatório.

Recrutamento e a rota de fuga

Para executar o plano, o alegado mentor recrutou três cúmplices, identificados apenas pelos nomes ou alcunhas de Mário, Kadifuba e "Leva Dois". O grupo realizou reconhecimentos prévios no terreno e definiu pontos estratégicos nas imediações da Cidadela Desportiva para garantir uma fuga rápida em motorizadas.

Edson Andrade fez questão de negar qualquer cumplicidade ou fuga de informação vinda do interior da instituição bancária ou da empresa de segurança. O suspeito assegurou que o plano nasceu estritamente da observação visual, revelando inclusive que, numa das fases da preparação, o grupo chegou a perseguir a viatura de valores para conhecer o seu percurso habitual.

Armas compradas e ligações a apurar

O assalto foi executado com recurso a duas armas de fogo. Quando questionado sobre a origem do armamento, o suspeito afirmou ter adquirido a sua arma em Dezembro passado, na província de Benguela, pelo valor de 350 mil kwanzas.

O vendedor terá sido um indivíduo conhecido como "Chefe Bandi" que, segundo o detido, terá ligações à Polícia de Intervenção Rápida (PIR). Importa sublinhar que esta acusação carece de qualquer confirmação oficial e permanece, até ao momento, como uma alegação unilateral do suspeito.

A ação criminosa decorreu num momento de grande vulnerabilidade, precisamente quando a viatura de transporte de valores iniciava a operação de abastecimento da agência. O assalto gerou o pânico generalizado entre clientes e funcionários e terminou de forma trágica: um segurança perdeu a vida e outro ficou ferido.

As autoridades angolanas, através do Serviço de Investigação Criminal (SIC), prosseguem as diligências para o completo esclarecimento do caso. As investigações visam apurar a responsabilidade criminal de todos os suspeitos envolvidos, confirmar o montante exacto subtraído da agência bancária e verificar a veracidade das declarações e alegações feitas pelo detido durante o interrogatório.

Rate this item
(0 votes)