Para a oposição, a verdadeira reconciliação nacional e a "pacificação dos espíritos" só se efectivarão quando os três ex-líderes forem tratados com igualdade institucional e integrados na toponímia e nos monumentos do País.
Reagindo à inauguração desta infraestrutura pelo Presidente da República, João Lourenço, o conselheiro da presidência e do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, o nacionalista Ernesto Mulato, disse que a governação contínua do MPLA desde 1975 criou uma sobreposição entre o partido e o Estado, dificultando uma alternância real.
"O MPLA chumba e desvaloriza de forma sistemática todas as ideias da oposição, recorrendo à sua maioria parlamentar para bloquear as iniciativas legislativas dos adversários políticos. Não há perpetuidade, porque um dia isto vai acabar", disse.
Relativamente aos conflitos armados, o político lembrou que a sua formação política abandonou a Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CVICOP), porque o órgão "permanece refém dos interesses do regime e a ser utilizado pelo partido no poder para proveito político", desviando-se das metas de reconciliação nacional e pacificação de espíritos.
Ernesto Mulato alegou que a CIVICOP foi "desvirtuada" da sua missão pelo Presidente da República, João Lourenço, transformando-se num instrumento de propaganda.
"Não é assim que funciona a verdadeira reconciliação nacional", concluiu.
Outro nacionalista - Ngola Kabango - defende que os partidos políticos devem deixar o orgulho de lado para alcançar uma verdadeira reconciliação nacional e construir uma Angola unida e de esperança.
"O projecto conduzido sob a égide da CIVICOP, sob iniciativa do Presidente da República, João Lourenço, é bem-vindo, mas deveria incluir figuras históricas que lutaram para a independência de Angola do jugo colonial português", sugeriu.
O presidente do PRS, Benedito Daniel, entende que excluir personalidades influentes que estiveram "seriamente" envolvidos na luta de libertação de Angola, é esquecer a história.
"A verdadeira reconciliação nacional envolve reconhecer a dignidade, a história e os direitos de todos os cidadãos, sem exceção. Para que um processo de reconciliação seja genuíno e duradouro, especialmente em sociedades que passaram por conflitos, é indispensável a inclusão de todas as partes envolvidas", referiu.
O presidente de Renova Angola, Manuel Fernandes, uma formação política extra-parlamentar defendeu que o caminho para pacificar o País passa por "procurar reformas para reconciliar", de modo a garantir uma verdadeira aproximação entre os angolanos.
João Lourenço diz que memorial representa "o compromisso vivo de que todos importam"
O Presidente da República, João Lourenço, reafirmou o compromisso de preservar a memória histórica nacional e transmitir às novas gerações os acontecimentos que marcaram Angola.
"Hoje encerramos um capítulo da nossa História e, com ele, solidificamos o princípio que nos norteia", disse o Chefe de Estado na sua mensagem por ocasião da inauguração, esta quarta-feira, 14, do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos ocorridos em Angola.
João Lourenço sublinhou que o memorial representa "o compromisso vivo de que todos importam". E acreescentou: "tudo faremos para que a nossa história seja conhecida e compartilhada".
A construção do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos ocorridos em Angola "exigiu persistência, superação de dificuldades e trabalho conjunto para concretizar uma obra destinada a preservar a memória das vítimas e reforçar a unidade nacional".
A afirmação é do coordenador da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação e Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), Marcy Lopes.
Na sua opinião, o memorial representa um símbolo de perdão, cura colectiva e reconciliação nacional.
"Este edifício em que nos encontramos hoje é exactamente isso, o resultado de uma visão associada a uma vontade inabalável de realizar", afirmou, salientando que o memorial transforma o abraço solidário num símbolo permanente de união entre os angolanos e num legado para as gerações futuras.
Sobre o Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos em Angola, baptizada como "Aliança Eterna": a estrutura principal do monumento, com 35 metros de altura e na Nova Marginal de Luanda, foi desenhada no formato de dois blocos que se articulam de forma semelhante a um abraço, simbolizando o pedido de perdão mútuo e a representação de todas as etnias afectadas pelas guerras ocorridas em Angola entre 1975 e 2002.
Com nove pisos, o Memorial "Aliança Eterna" integra ainda um edifício técnico, uma loja de recordações, um espaço de acervo digital, uma sala de convenções e exposições, um parque de estacionamento com capacidade para 106 viaturas e uma praça destinada a visitas, com uma componente paisagística. NJ

