Terça, 04 de Agosto de 2026
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Terça, 04 Agosto 2026 19:36

Higino Carneiro rejeita acusações de divisão étnica e apela à unidade nacional

Luanda – O general na reforma e pré-candidato à presidência do MPLA, Higino Carneiro, veio a público negar qualquer envolvimento em discursos de natureza étnica ou racista, numa mensagem dirigida aos angolanos e publicada na sua pagina, numa altura em que decorre um contencioso em torno da sua candidatura à liderança do partido.

Na publicação, Higino Carneiro afirma que a sua família tem origem mista, reunindo raízes Ovimbundu e Kimbundu, sublinhando sentir "muito orgulho" da sua identidade, cultura e origens. O pré-candidato manifesta surpresa perante aquilo que considera serem tentativas de associar o seu nome a posições hostis contra os Ovimbundu ou qualquer outro grupo étnico angolano.

"Essas narrativas não correspondem à minha história nem aos valores que sempre defendi ao longo da minha vida", escreveu.

O antigo dirigente recorda ainda o seu percurso ao serviço do Estado, afirmando ter servido Angola "de Cabinda ao Cunene, do mar ao Leste", convivendo com cidadãos de diferentes origens, culturas, religiões e condições sociais. Segundo Higino Carneiro, toda a sua trajetória foi pautada pelo serviço à Pátria e à defesa da unidade nacional.

Na mensagem, rejeita igualmente qualquer tentativa de o apresentar como uma figura racista ou divisionista, sustentando que essa imagem contraria décadas de serviço público.

"O Soldado da Pátria é um angolano ao serviço de todos os angolanos", refere.

O general na reforma aproveita ainda a ocasião para apelar à contenção no debate político, defendendo que as divergências de opinião não devem comprometer a paz social nem a coesão nacional.

"A política deve ser um espaço de diálogo, respeito e debate de ideias. Mesmo quando existem diferenças de opinião, devemos preservar sempre a unidade e a paz entre os angolanos", escreveu, concluindo que "Angola está acima de qualquer interesse individual ou circunstancial".

A posição pública de Higino Carneiro surge poucos dias depois de ter interposto uma providência cautelar junto do Tribunal Constitucional (TC), através da qual contesta uma deliberação dos órgãos internos do MPLA relacionada com o processo de eleição da liderança do partido.

O Tribunal Constitucional admitiu a providência cautelar e notificou o MPLA para apresentar a respetiva contestação no prazo de oito dias, mantendo em aberto o diferendo jurídico em torno do processo eleitoral interno.

O desfecho deste processo poderá ter impacto na preparação do IX Congresso Ordinário do MPLA, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda.

Entretanto, enquanto decorre a tramitação judicial da providência cautelar, Higino Carneiro procura afastar as acusações de carácter étnico, reafirmando que sempre defendeu a unidade nacional e que continuará a colocar "Angola acima de tudo".

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