Sexta, 17 de Julho de 2026
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Sexta, 17 Julho 2026 16:19

"O Estado não pode ser a única esperança de emprego", defende Adalberto Costa Júnior

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, defendeu que o Estado não pode continuar a ser a principal, nem a única, fonte de emprego para os angolanos, considerando que a elevada procura por vagas na função pública reflete as fragilidades do modelo económico do país.

Num artigo de opinião publicado na sua página oficial, o líder do maior partido da oposição afirma que as longas filas, as horas de espera e os sucessivos constrangimentos registados nos concursos públicos representam "o fracasso de um modelo económico incapaz de transformar as riquezas de Angola em prosperidade para os seus cidadãos".

Segundo Adalberto Costa Júnior, num país dotado de abundantes recursos naturais, é preocupante que milhares de jovens continuem a ver no Estado a única garantia de um rendimento estável. Para o dirigente da UNITA, esta realidade demonstra a incapacidade das políticas públicas em promover um setor privado forte e gerar oportunidades de emprego sustentáveis.

No texto, o político defende uma mudança de paradigma económico, sustentada na diversificação da economia e na valorização de sectores com elevado potencial de crescimento. Entre as áreas apontadas como estratégicas destaca-se a aquicultura, que considera uma das atividades económicas mais promissoras a nível mundial.

Recorrendo a dados internacionais, Adalberto Costa Júnior refere que a produção mundial da aquicultura atingiu, em 2022, cerca de 130,9 milhões de toneladas, movimentando mais de 313 mil milhões de dólares na primeira venda. Acrescenta que o setor das pescas e da aquicultura gerou, no mesmo período, 472 mil milhões de dólares, empregou mais de 61 milhões de pessoas e registou um volume de comércio internacional superior a 195 mil milhões de dólares.

O presidente da UNITA destaca ainda os exemplos da China, da Noruega e do Vietname como países que conseguiram transformar os recursos hídricos em importantes motores de crescimento económico e criação de emprego.

Na sua visão, Angola dispõe de condições naturais favoráveis para seguir um caminho semelhante. Com uma vasta rede hidrográfica, milhares de rios e lagoas distribuídos por todo o território e uma população superior a 36 milhões de habitantes, o país reúne, segundo afirma, os pressupostos para desenvolver uma economia azul capaz de impulsionar a produção nacional.

Entre as propostas apresentadas constam a criação de polos municipais de aquicultura, centros de produção de alevinos, fábricas de ração, linhas de financiamento para jovens empreendedores e cooperativas, programas de formação técnica e uma rede nacional de conservação, processamento e exportação de pescado.

De acordo com os cálculos apresentados pelo líder da UNITA, a implementação de cerca de 20 polos aquícolas em cada município poderia gerar mais de 650 mil empregos diretos e ultrapassar um milhão de postos de trabalho ao longo da cadeia de valor, envolvendo atividades como transporte, indústria, comércio, investigação e exportação.

Adalberto Costa Júnior conclui que Angola dispõe dos recursos naturais necessários para criar riqueza e emprego, defendendo que o principal desafio passa por uma governação capaz de transformar esse potencial em desenvolvimento económico e melhoria das condições de vida da população.

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