Quinta, 30 de Julho de 2026
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Quinta, 30 Julho 2026 13:21

Mérito ao Presidente João Lourenço por ter acabado com o monopólio nas telecomunicações

Os acontecimentos registados desde a madrugada do dia 28 vieram demonstrar que o sector das telecomunicações deixou de ser apenas um serviço de comunicação. Hoje, constitui uma das infra-estruturas mais importantes para o funcionamento da economia, das instituições públicas e da vida quotidiana dos cidadãos.

Durante várias horas, milhares de angolanos enfrentaram dificuldades para efectuar chamadas telefónicas, enviar mensagens, aceder à Internet e utilizar diversos serviços digitais. As consequências fizeram-se sentir em vários sectores da actividade económica, afectando empresas, instituições públicas, bancos, operadores de transporte, comerciantes e cidadãos.

Este episódio deixa uma importante reflexão.

Durante muitos anos, o mercado das telecomunicações em Angola esteve fortemente concentrado. Felizmente, o Presidente da República, João Lourenço, promoveu a abertura do sector à concorrência, permitindo a entrada de novos operadores privados.

Os acontecimentos recentes demonstraram a importância dessa decisão.

Se Angola continuasse dependente de um único operador, as consequências poderiam ter sido muito mais graves.

A existência de outras operadoras permitiu que muitos cidadãos encontrassem alternativas para continuar a comunicar e aceder à Internet, reduzindo significativamente o impacto provocado pela indisponibilidade da principal rede.

Esta situação demonstra que a concorrência não beneficia apenas os consumidores através de melhores preços ou maior qualidade dos serviços.

A concorrência aumenta igualmente a resiliência das telecomunicações nacionais.

Costuma dizer-se que não devemos colocar todos os ovos no mesmo cesto, porque, se esse cesto cair, perderemos todos os ovos.

O mesmo princípio aplica-se às infra-estruturas críticas de um país.

Quando existe apenas um operador dominante, uma falha técnica pode produzir consequências de grande dimensão. Quando existem vários operadores capazes de assegurar serviços essenciais, o sistema torna-se mais robusto, mais resiliente e mais preparado para responder a situações inesperadas.

As telecomunicações deixaram de ser apenas um serviço de voz.

Actualmente, sustentam praticamente toda a economia digital.

Os bancos dependem delas para validar operações através de códigos enviados por SMS; os serviços de táxi funcionam através de aplicações móveis; empresas comunicam diariamente com clientes através da Internet; cidadãos realizam pagamentos electrónicos, transferências bancárias, compras online e inúmeras outras operações utilizando os seus telemóveis.

Durante o recente incidente, alguns serviços bancários registaram constrangimentos porque a validação das operações dependia da recepção de códigos enviados para números telefónicos associados às contas dos clientes. Em determinados casos, instituições financeiras tiveram de recorrer ao envio desses códigos através do WhatsApp como solução alternativa para permitir que os clientes continuassem a utilizar os seus serviços.

Este episódio demonstra que as telecomunicações são hoje tão importantes quanto a energia eléctrica, o abastecimento de água ou a rede rodoviária.

São infra-estruturas estratégicas para o funcionamento do Estado e da economia.

Mas há uma segunda reflexão igualmente importante.

A forma como comunicamos mudou profundamente.

Há alguns anos, a maior parte das comunicações era feita através de chamadas telefónicas e mensagens SMS.

Hoje, a realidade é completamente diferente.

Milhões de fotografias, vídeos, documentos, mensagens instantâneas, chamadas de voz e videoconferências são diariamente transmitidos através de plataformas digitais internacionais, que se tornaram os principais canais de comunicação entre famílias, empresas, instituições públicas e organizações.

Durante a indisponibilidade de uma operadora, muitos cidadãos conseguiram continuar a comunicar graças ao acesso à Internet disponibilizado por outras redes móveis. Foi através dessa ligação que puderam utilizar aplicações internacionais de mensagens, chamadas e partilha de conteúdos.

Isso demonstra que a concorrência entre operadoras foi determinante para reduzir o impacto da falha.

Contudo, este episódio leva-nos a uma nova reflexão.

O que aconteceria se, em vez da indisponibilidade de uma operadora, fosse uma das grandes plataformas internacionais de comunicação a sofrer uma falha técnica de grande dimensão?

As consequências poderiam ser ainda mais abrangentes.

Empresas perderiam os seus principais canais de atendimento ao cliente.

Milhares de pequenos negócios deixariam de receber encomendas.

Instituições públicas enfrentariam dificuldades acrescidas para comunicar com os cidadãos.

Bancos, operadores logísticos, plataformas de transporte, órgãos de comunicação social e inúmeros outros serviços ficariam limitados nas suas operações.

Ou seja, uma falha desta natureza teria impacto não apenas nas comunicações, mas em praticamente toda a economia digital.

Esta realidade demonstra que a resiliência das telecomunicações não depende apenas da existência de vários operadores móveis.

Depende igualmente da existência de alternativas tecnológicas em toda a cadeia de comunicação.

Por essa razão, considero que Angola deve continuar a incentivar o desenvolvimento de plataformas digitais nacionais de comunicação, partilha de conteúdos, publicidade digital, comércio electrónico e outros serviços estratégicos.

Não para substituir as plataformas internacionais.

Nem para limitar a liberdade de escolha dos cidadãos.

Mas para que o País disponha de alternativas nacionais, capazes de assegurar a continuidade de serviços essenciais em situações excepcionais.

Assim como foi uma decisão acertada do Presidente João Lourenço, ao abrir o mercado das telecomunicações à concorrência, também será estratégico incentivar o surgimento de soluções digitais desenvolvidas em Angola.

A concorrência fortalece os mercados.

As alternativas reduzem os riscos.

E a diversidade tecnológica aumenta a capacidade de resposta perante crises.

Os acontecimentos dos últimos dias devem servir de aprendizagem.

Num mundo cada vez mais digital, as telecomunicações deixaram de ser apenas um sector económico.

São hoje um dos pilares da actividade financeira, da administração pública, do comércio, da educação, da saúde, da mobilidade urbana e da própria convivência social.

Por isso, o País deve continuar a investir na modernização das infra-estruturas de telecomunicações, na redundância das redes, na diversificação dos operadores e na criação de mecanismos que garantam a continuidade dos serviços essenciais.

Os incidentes técnicos fazem parte da realidade de qualquer sistema tecnológico.

O que distingue os países mais preparados é a sua capacidade de responder rapidamente, minimizar os impactos e assegurar que a economia continue a funcionar.

Por: Tomás Alberto

Neste aspecto, a abertura do mercado das telecomunicações promovida pelo Presidente João Lourenço revelou-se uma decisão estratégica, cujos benefícios ficaram evidentes neste momento de dificuldade.

O próximo desafio será continuar a fortalecer o ecossistema nacional das telecomunicações e da economia digital, para que Angola esteja cada vez mais preparada para enfrentar situações semelhantes no futuro.

Porque, no século XXI, garantir a continuidade das comunicações é garantir a continuidade da economia.

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