Quinta, 22 de Outubro de 2026
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Quinta, 22 Outubro 2026 20:23

Higino Carneiro garante que não desiste após chumbo da candidatura à liderança do MPLA

O general Higino Carneiro afastou uma despedida política e garantiu que não desistiu das suas convicções, depois de o Comité Central do MPLA ter mantido a anulação da sua candidatura à liderança do partido. O antigo governante afirma que vai continuar a avaliar os próximos passos, sem tomar decisões precipitadas.

O general Higino Carneiro garantiu que não vai desistir da sua intervenção política, na sequência da anulação da sua candidatura à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, e afirmou que a sua história não termina com a decisão dos órgãos partidários.

Numa mensagem dirigida aos militantes, apoiantes e cidadãos que manifestaram solidariedade para com a sua candidatura, o antigo governante agradeceu as manifestações de apoio e assegurou que continuará a reflectir sobre os caminhos a seguir, sem antecipar decisões.

«Aos que me dizem “não desista”, respondo com sinceridade: eu também não desisto», afirmou Higino Carneiro, acrescentando que não abandonou as suas convicções nem renunciou à defesa da sua dignidade e honra.

A reacção surge depois de, na reunião de 21 de Outubro, o Comité Central do MPLA ter mantido, após recurso, a decisão de declarar nula a candidatura do general à liderança do partido. O órgão decidiu igualmente instaurar-lhe um processo disciplinar, na sequência de alegadas irregularidades relacionadas com a documentação apresentada para a formalização da candidatura.

Entre os fundamentos invocados pelo partido estão suspeitas de falsificação de assinaturas e de utilização indevida de documentos de identificação, acusações que deverão ser tratadas no quadro dos procedimentos competentes.

Higino Carneiro agradece apoio e apela à serenidade

Na mensagem, o general destacou o apoio recebido desde a decisão de anulação da candidatura, referindo que tem sido contactado por militantes e cidadãos que o incentivam a prosseguir.

«Muitas delas resumem-se a duas palavras: “Não desista!” Outras dizem-me: “Continuamos firmes consigo”, “Estamos consigo”, “Não nos abandone”», escreveu, sublinhando que recebeu as manifestações de solidariedade com emoção, humildade e sentido de responsabilidade.

Higino Carneiro agradeceu particularmente aos subscritores da candidatura e aos membros da equipa de trabalho que desenvolveram actividades em várias províncias do país, reconhecendo o empenho daqueles que participaram na iniciativa.

O general considerou que a confiança depositada pelos apoiantes representa uma responsabilidade, e não um privilégio, recordando os mais de 50 anos de ligação ao MPLA e de serviço a Angola.

Segundo afirmou, o seu percurso foi marcado por diferentes circunstâncias políticas e nacionais, tendo defendido que a actividade política deve constituir, acima de tudo, um instrumento de serviço ao povo e de construção de um futuro melhor para o país.

General defende democracia interna no MPLA

No plano interno do partido, Higino Carneiro defendeu o respeito pela pluralidade de ideias e pela participação dos militantes, considerando que a divergência política não deve ser confundida com inimizade.

«A divergência não deve ser confundida com inimizade, e a fidelidade a um partido não exige a renúncia ao pensamento próprio», declarou.

O general sustentou ainda que a democracia interna exige regras claras, procedimentos transparentes e condições de igualdade para todos os militantes. Defendeu igualmente que os Estatutos do MPLA devem ser aplicados de forma coerente em todas as circunstâncias.

Para Higino Carneiro, as divergências devem ser discutidas no quadro das instituições partidárias, com respeito pela pluralidade de pensamento, pelo direito de participação e pela dignidade dos militantes.

O antigo governante apelou também à serenidade dos apoiantes, afastando a possibilidade de anunciar, para já, uma decisão definitiva sobre o seu futuro político.

«Não vos prometerei decisões precipitadas, tomadas sob a pressão da emoção ou das circunstâncias», afirmou, esclarecendo, contudo, que a sua mensagem não representa uma despedida.

«Não posso antecipar hoje todas as decisões que o futuro poderá exigir. Posso, contudo, assegurar-vos que continuarei a ouvir, a reflectir e a avaliar os caminhos que se apresentam», acrescentou.

«A minha história não termina aqui»

Na parte final da mensagem, Higino Carneiro reiterou o compromisso com Angola e com os angolanos, assegurando que continuará a defender os seus princípios e o reforço da democracia interna no MPLA.

O general considerou que a anulação de uma candidatura não apaga o percurso de uma pessoa nem elimina as responsabilidades assumidas perante aqueles que nela depositaram confiança.

«Uma candidatura pode ser anulada. Uma iniciativa pode ser impedida por uma decisão. Mas nenhuma dessas circunstâncias apaga uma vida de serviço», declarou.

«O meu compromisso com Angola e com os angolanos permanece. A minha história não termina aqui», concluiu.

A candidatura de Higino Carneiro à liderança do MPLA foi anulada após a identificação, pelo partido, de alegadas irregularidades nas fichas de subscrição e nos documentos apresentados. O Comité Central manteve a decisão após a reclamação do general e determinou a abertura de um processo disciplinar.

Com a candidatura de Higino Carneiro afastada, a de João Lourenço, actual presidente do MPLA e da República de Angola, foi a única aprovada até ao momento para a disputa da liderança partidária, no congresso previsto para 9 e 10 de Dezembro.

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