A informação foi avançada pela revista Economia & Mercado (E&M), que cita uma fonte da empresa segundo a qual os autores do ataque exigiram 300 mil milhões de kwanzas (326,5 milhões de dólares), valor correspondente às receitas obtidas pelo Estado com a alienação da participação na maior operadora de telecomunicações do país.
De acordo com a mesma fonte, os atacantes conseguiram infiltrar-se na infraestrutura tecnológica da empresa através da plataforma de acesso remoto, tendo encriptado dados considerados críticos para o funcionamento da rede.
"Foi um ataque à nossa rede. Invadiram a nossa aplicação para acesso remoto e conseguiram encriptar os nossos dados. Isso está a levar a uma grande intervenção técnica para recuperar o nosso Data Center", afirmou a fonte citada pela revista, sob anonimato.
Segundo a publicação, os hackers condicionaram o desbloqueio dos sistemas ao pagamento do resgate em criptomoedas, exigência que não foi aceite pela administração da UNITEL.
A empresa terá optado por não negociar com os atacantes, mantendo os trabalhos de recuperação dos sistemas afectados através das suas equipas técnicas e especialistas em cibersegurança.
Ainda segundo a fonte ouvida pela Economia & Mercado, a reposição dos serviços tem decorrido de forma gradual, enquanto decorrem intervenções em vários sistemas críticos, incluindo a plataforma de billing, responsável pela facturação dos serviços prestados aos clientes.
Apesar da dimensão do incidente, a mesma fonte assegura que os atacantes não conseguiram desviar quaisquer fundos das contas da empresa, limitando-se a comprometer o funcionamento dos sistemas informáticos.
"Apesar destas contrariedades técnicas, estes hackers, que podem ter origem no nosso próprio país, não conseguiram, felizmente, sacar algum valor das contas da empresa", acrescentou.
A UNITEL já havia confirmado, em comunicado ao mercado, que o ataque foi detectado às 02h20 do dia 28 de Julho e afectou os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional. A operadora admitiu igualmente estar a investigar a possibilidade de o incidente ter sido um ataque deliberado, coincidindo com a véspera da admissão das suas acções à negociação na BODIVA.
Até ao momento, a empresa não confirmou oficialmente a existência do pedido de resgate nem o montante alegadamente exigido pelos atacantes. Também não foram divulgadas informações sobre a identidade ou origem dos responsáveis pelo ataque, cuja investigação continua em curso.

