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Segunda, 26 Outubro 2026 03:35

Flávio Bolsonaro rejeita resultado e exige anulação das eleições brasileiras.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rejeitou publicamente, neste domingo (25), o resultado das urnas que confirmou a sua derrota na corrida à Presidência da República, e anunciou que vai exigir a anulação do pleito. O pronunciamento foi feito por volta das 22h40 de brasilia (02h40 de Angola). Os alvos das críticas foram a decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prolongou em duas horas o encerramento da votação em várias localidades.

Perante a imprensa e os apoiantes, e recorrendo até ao termo «sacanagem», o candidato derrotado procurou construir uma narrativa de irregularidade.

«O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável. Pela primeira vez na história um ministro do STF dá uma canetada e muda a regra do jogo», afirmou. «As eleições deveriam ter sido anuladas. É impossível reconhecer o resultado», acrescentou.

Flávio sublinhou que a decisão foi tomada às 17h01 e criticou o facto de Zanin não integrar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando-o de interferir nas competências da Justiça Eleitoral. Argumentou ainda que a prorrogação terá quebrado a igualdade entre eleitores de diferentes cidades e estados, já que, na sua leitura, nem todas as localidades tiveram as urnas reabertas.

Uma queixa sem sustentação prática

A alegação de que o processo ficou invalidado pela intervenção judicial carece, contudo, de coerência. A reclamação soa esvaziada de sentido prático e jurídico, uma vez que a medida do STF correspondeu, em grande parte, a apelos feitos pela própria equipa de Flávio ao longo do dia de votação.

Segundo a imprensa brasileira, a decisão de Zanin surgiu na sequência de pedidos apresentados pelas campanhas de ambos os candidatos, Flávio Bolsonaro e Lula da Silva. As duas candidaturas tinham solicitado ao TSE o alargamento do horário, ainda que por motivos distintos. A defesa do senador pediu também que a divulgação dos resultados só começasse depois de a votação terminar nas cidades em causa.

Há, no entanto, um ponto em que o pedido e a decisão não coincidiram. A liminar de Zanin estendeu o horário a todo o país, e não apenas às localidades indicadas. Segundo o jornal O Bastidor, a ordem foi proferida no limite do horário legal de encerramento e não chegou a tempo a todas as secções, algumas das quais já tinham fechado e desligado as urnas. Zanin esclareceu depois que o alargamento se aplicava apenas onde as urnas ainda não tinham sido encerradas e que os votos das urnas já fechadas seriam totalizados normalmente.

Justiça Eleitoral brasileira (TSE) afasta problemas na totalização

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (25), após a confirmação da vitória do presidente Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro, que a prorrogação do prazo de encerramento das urnas não causou problemas na totalização dos votos.

Lula foi eleito para um quarto mandato, com 51,75% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro garante que a sua equipa jurídica avançará com o pedido de anulação, que terá agora de ser apreciado pela Justiça Eleitoral.

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