Sexta, 23 de Outubro de 2026
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Sexta, 23 Outubro 2026 21:17

Angola prevê multas de até 25 milhões de kwanzas para infractores da Lei da Publicidade

A revisão da Lei da Publicidade angolana prevê aumentar de 2,5 milhões para 25 milhões de kwanzas o valor máximo da multa por infracções, com vista à modernização do enquadramento jurídico do sector e adaptação às transformações do mercado.

A informação foi avançada esta sexta-feira, em Luanda, pelo director nacional de Publicidade do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, José Matuta Cuato, durante uma palestra que abordou sobre a "Revisão da Lei Geral da Publicidade: O que vai mudar", realizada no âmbito da 5ª edição do FESTIPUB 2026, que encerra hoje, na capital angolana.

Actualmente, a actividade publicitária em Angola é regulada pela Lei n.º 9/17, de 13 de Março, que se encontra em revisão.

Segundo o responsável, a iniciativa visa modernizar o enquadramento jurídico do sector e adaptá-lo às transformações do mercado, nomeadamente à expansão da publicidade na internet, o uso da inteligência artificial e a crescente intervenção dos criadores de conteúdos digitais.

O director salientou que a legislação em vigor faz apenas uma referência à internet, o que evidencia a necessidade de se actualizar as normas que regulam a comunicação comercial e responder aos novos desafios da actividade publicitária.

Entre as principais alterações propostas, avançou, destaca-se a classificação das infracções em leves, graves e muito graves, com o objectivo de tornar mais clara e uniforme a aplicação das sanções.

A revisão prevê ainda a diferenciação das multas aplicáveis a pessoas singulares e colectivas, tendo o salário mínimo nacional como referência para o respectivo cálculo, em conformidade com o regime jurídico angolano.

Além das multas, a proposta prevê sanções complementares, incluindo a suspensão de licenças e da actividade das empresas que violem as regras estabelecidas.

De acordo com José Matuta Cuato, essas medidas pretendem reforçar o cumprimento da lei e impedir que a violação das normas publicitárias seja encarada como uma vantagem económica pelos operadores do sector.

Cadastro nacional para organizar a publicidade exterior

A proposta contempla, igualmente, a criação de um cadastro nacional georreferenciado dos suportes publicitários, com a participação de pelo menos sete departamentos ministeriais.

A plataforma irá permitir identificar os locais adequados à instalação de estruturas publicitárias e melhorar a coordenação entre as entidades públicas responsáveis pelo licenciamento e pela gestão das infra-estruturas.

A medida pretende prevenir danos nas redes de abastecimento de água, energia eléctrica e telecomunicações, incluindo nas infra-estruturas de fibra óptica, frequentemente afectadas pela instalação inadequada de suportes publicitários.

O cadastro deverá também ajudar a evitar a obstrução de equipamentos públicos, como câmaras de videovigilância, e reduzir a poluição visual nas principais vias urbanas.

Segundo a fonte, a iniciativa visa conciliar a actividade publicitária com a segurança pública, a protecção do património e a organização do espaço urbano.

Protecção do consumidor e da concorrência

A revisão da Lei Geral da Publicidade procura fortalecer dois princípios fundamentais da regulação publicitária, a protecção do consumidor e a defesa da concorrência.

José Matuta Cuato explicou que a publicidade deve respeitar os direitos dos consumidores, destinatários finais das mensagens comerciais, e assegurar condições de concorrência equilibradas entre as empresas.

Neste sentido, a actualização legislativa deverá estabelecer regras que promovam práticas comerciais responsáveis e previnam comportamentos susceptíveis de distorcer a concorrência no mercado.

Publicidade de jogos de azar sob atenção

A publicidade associada aos jogos de azar constitui outra das preocupações apresentadas pelo responsável, que alertou para os efeitos desta actividade nas famílias, sobretudo entre os jovens.

A proposta pretende harmonizar a Lei Geral da Publicidade com a Lei de Supervisão de Jogos, uma vez que, segundo o director nacional, os dois diplomas estabelecem distâncias mínimas diferentes para determinadas situações, nomedamente, mil metros na legislação de supervisão de jogos e 300 metros na Lei Geral da Publicidade.

A revisão irá procurar uniformizar estas disposições, com vista ao reforço da protecção dos cidadãos, em particular dos mais jovens.

Relativamente aos próximos passos, informou que a proposta se encontra em fase de discussão ministerial e irá ser submetida à apreciação dos parceiros sociais, das associações empresariais do sector, dos operadores publicitários e da comunidade académica.

Após a recolha e análise dos contributos, o documento será concluído e remetido ao Conselho de Ministros, seguindo posteriormente para apreciação parlamentar.

A revisão pretende, assim, adequar a legislação às novas dinâmicas da publicidade em Angola, intensificar a fiscalização e a responsabilização dos infractores e proteger os consumidores, sem descurar a segurança pública e a concorrência no mercado.

O FESTIPUB 2026 encerra esta sexta-feira com uma gala de premiação, em Luanda.

A cerimónia vai distinguir profissionais de diferentes especialidades, com destaque para as categorias de Profissional de Marketing do Ano e Produtor do Ano, entre os 187 trabalhos avaliados.

O festival promove a valorização do talento africano, a profissionalização do sector publicitário, o networking e a criação de oportunidades de negócio. A iniciativa incentiva igualmente a aproximação entre marcas, instituições, profissionais, órgãos de comunicação social, criadores de conteúdos e entidades públicas.

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Last modified on Sexta, 23 Outubro 2026 21:37