Segunda, 27 de Julho de 2026
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Segunda, 27 Julho 2026 18:19

Governo prepara plano para repatriar angolanos residentes na África do Sul devido à violência xenófoba

Luanda – O Executivo angolano analisou, esta segunda-feira, uma proposta de estratégia destinada a assegurar o regresso voluntário de cidadãos angolanos residentes na África do Sul, na sequência da nova vaga de violência xenófoba que tem atingido aquele país.

A iniciativa surge em resposta aos ataques e agressões registados contra cidadãos estrangeiros, incluindo membros da comunidade angolana, que manifestaram interesse em regressar a Angola por razões de segurança. A informação consta de um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (MIREX).

A situação da comunidade angolana foi analisada durante uma reunião multissectorial realizada na sede do MIREX e presidida pelo secretário de Estado para a Administração, Finanças e Património, Osvaldo dos Santos Varela. O encontro teve como principal ponto da agenda a apreciação da Proposta de Estratégia para a Evacuação de Cidadãos Angolanos Residentes na África do Sul.

Participaram igualmente na reunião os secretários de Estado António José de Sousa Queirós, para a Protecção dos Objectivos Estratégicos, Cristino Mário Ndeitunga, para o Asseguramento Técnico, Adilson Gabriel Alves Catala, da Aviação Civil, Marítimo e Portuário, e Carlos Alberto Pinto de Sousa, da Saúde Pública, além de responsáveis de vários serviços da administração pública.

De acordo com dados oficiais, vivem actualmente na África do Sul cerca de 20 mil cidadãos angolanos, maioritariamente concentrados nas cidades de Pretória, Joanesburgo e Cidade do Cabo.

A actual vaga de violência xenófoba intensificou-se desde Abril e é atribuída à actuação de grupos anti-imigração que exigem o repatriamento de cidadãos estrangeiros provenientes de vários países africanos. Os ataques já provocaram vítimas mortais e obrigaram diversos governos da região a organizar operações de retirada dos seus nacionais.

Entre os países mais afectados está Moçambique, que já repatriou mais de 1.360 cidadãos e registou várias vítimas mortais. Também Zimbabué, Gana, Nigéria, Uganda, Quénia e Malawi desencadearam operações de repatriamento de centenas de cidadãos.

Até ao momento, as autoridades angolanas não confirmaram qualquer ataque contra cidadãos angolanos residentes na África do Sul.

A África do Sul, que conta com uma população superior a 65 milhões de habitantes, acolhe aproximadamente 2,4 milhões de migrantes, na sua maioria provenientes de países vizinhos, sendo um dos principais destinos migratórios do continente africano.

Os episódios de violência xenófoba têm sido recorrentes desde o final da década de 1990. Os incidentes mais graves ocorreram em 2008, quando mais de 60 pessoas perderam a vida, e em 2019, ano em que pelo menos 18 cidadãos estrangeiros morreram na sequência dos ataques.

Alguns analistas defendem que a persistência destes episódios resulta de factores políticos, sociais e económicos, apontando responsabilidades às autoridades sul-africanas e à influência de determinados grupos políticos e comunitários. No entanto, estas interpretações permanecem objecto de debate público e não constituem uma posição oficial do Governo da África do Sul, que tem condenado publicamente os actos de violência xenófoba e apelado ao respeito pelos direitos de todos os residentes no país.

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Last modified on Segunda, 27 Julho 2026 18:55