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Terça, 03 Novembro 2026 19:28

Oxford Economics diz que números positivos do OGE escondem fragilidade das contas públicas angolanas

A consultora Oxford Economics alerta que os números positivos do Orçamento Geral do Estado (OGE) de Angola escondem uma posição orçamental frágil, devido à excessiva dependência da conjuntura internacional, nomeadamente sobre a evolução dos preços do petróleo.

A consultora Oxford Economics considerou hoje que os números positivos do Orçamento Geral do Estado (OGE) de Angola "escondem uma posição frágil" devido à excessiva dependência da conjuntura internacional, nomeadamente sobre a evolução dos preços do petróleo.

"Os números globais ocultam a frágil posição orçamental de Angola", dizem os analistas, salientando que o impacto dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irão "ajudou Angola a aliviar as pressões da dívida, impulsionando as receitas orçamentais e de exportação, melhorando o sentimento dos investidores e apoiando as operações de gestão do passivo".

No entanto, salientam, "a melhoria repentina das perspetivas orçamentais de Angola na sequência do conflito no Médio Oriente destaca a dependência do país da evolução do mercado petrolífero externo".

Assim, "Angola poderá ainda ver a sua situação económica e as suas perspetivas orçamentais alterarem-se caso as negociações de paz entre as partes beligerantes conduzam a uma queda acentuada dos preços".

O Governo angolano apresentou e entregou na semana passada a proposta avaliada em 37,34 biliões de kwanzas (cerca de 36,4 mil milhões de euros), representando um aumento de aproximadamente 4,1 biliões de kwanzas face ao orçamento em vigor.

O documento "procura dar continuidade às grandes linhas do Plano de Desenvolvimento Nacional, mas ao mesmo tempo com prudência financeira face ao contexto externo de grandes desafios", disse o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

Na proposta está inscrita uma despesa global de 37,4 biliões de kwanzas, uma previsão de crescimento da economia de cerca 5,5%, com o setor petrolífero a continuar a ser o motor de desenvolvimento, com um crescimento estimado de cerca de 7,1%.

O ministro destacou ainda a previsão de continuação da redução da inflação e a indicação de um preço do barril de petróleo médio de 71 dólares.

O exercício de 2027 prevê ainda necessidades brutas de endividamento de cerca de 15,5 biliões de kwanzas o que, explicou o ministro, irá permitir, na eventualidade de um preço do barril do petróleo acima do valor indicativo da proposta, que esta necessidade seja reduzida, à semelhança do que vem ocorrendo com a execução do OGE de 2026.

Na avaliação dos analistas, o orçamento para o próximo ano "reflete uma orientação orçamental cautelosa, com as projeções de receitas e despesas do Estado assentes em pressupostos conservadores quanto aos preços do petróleo", mas

"O orçamento prudente esconde grandes riscos para a orientação fiscal do país, uma vez que a trajetória fiscal continua a depender da evolução do mercado petrolífero e das oportunidades de financiamento externo", concluem.

A Oxford Economics prevê um preço médio do barril de Brent de 96,2 dólares, ao passo que o governo de Angola inscreveu no orçamento um valor de 71 dólares por barril em 2027.

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