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Quinta, 27 Agosto 2026 22:08

Marcolino Moco acusa MPLA de reciclar vídeo de apoio à UNITA para o rotular de "traidor"

O antigo primeiro-ministro angolano e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, veio a público criticar aquilo que classifica como uma campanha de "construção de aparências" promovida por sectores ligados ao partido no poder, que insiste em apresentar-se como a única força política angolana a estar do "lado certo da História" na aproximação às próximas eleições.

Numa publicação na sua página pessoal, Moco denuncia ter sido, "mais uma vez", vítima dessas manobras, depois de ter voltado a circular — apresentado como se fosse recente — um vídeo seu de apoio à UNITA/FPU, gravado durante a campanha eleitoral de 2022. Segundo o antigo chefe do executivo, essa intervenção foi feita enquanto cidadão independente, sem qualquer filiação partidária e sem pretensões a lugares na Assembleia Nacional ou a outros cargos político-partidários.

O antigo governante explica que o seu propósito era, na altura, contribuir para uma tentativa de ultrapassar aquilo que descreve como um sistema constitucional gravoso, que empobrece o país sem necessidade real, tanto do ponto de vista formal como material. Recorda que era precisamente essa mudança que a UNITA/FPU, então liderada por Adalberto Costa Júnior, prometia com clareza — um desígnio que, na sua leitura, só não se concretizou devido à falta de transparência do processo eleitoral.

Moco admite que, isoladamente, o vídeo poderia ser interpretado apenas como uma peça reaproveitada pelos serviços de propaganda da UNITA, sem grande significado político, até por poder não voltar a repetir-se em futuras campanhas por razões de ordem procedimental. Reafirma, no entanto, que a UNITA nunca lhe foi "coisa repelente", sublinhando o seu regresso ao sistema político oficial desde os Acordos de Bicesse, em 1991, num percurso que classifica como um mérito próprio do partido e um gesto de homenagem à paz e à reconciliação nacional.

O antigo secretário-geral do MPLA alerta, contudo, para o facto de esse capítulo histórico estar a ser "perigosamente escamoteado" junto de sectores mais jovens do partido, mesmo depois da paz definitiva alcançada em 2002 — um esquecimento que, na sua opinião, serve para reavivar antigas hostilidades e que poderá provocar reações pouco benignas do lado oposto do espectro político. Moco diz gostar de poder transmitir directamente a essa nova geração o desgaste inútil vivido por causa de ideologias forjadas para sustentar posições de exclusividade política.

É em torno da legenda que acompanhou a difusão do vídeo — "Moco mostra, finalmente, a sua camisola Kwacha" — que o antigo primeiro-ministro concentra a sua crítica mais dura. Para Moco, a frase serve simultaneamente dois propósitos: por um lado, reactiva o rótulo de "traidor", habitualmente atribuído a quem se afasta daquilo que descreve como uma "pátria sagrada" chamada MPLA, ainda que já depois da paz formal estabelecida no país; por outro, recupera o termo "kwacha" com a carga pejorativa que, segundo o próprio, lhe foi atribuída por alguns sectores do MPLA em determinada fase da conturbada história política angolana, associando-o a um antigo lema da UNITA.

O texto termina com uma interrogação dirigida ao país: para quando a verdadeira paz e o verdadeiro sentido da palavra "Pátria" em Angola.

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