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Domingo, 09 Agosto 2026 14:21

PRA JA solidariza-se com a UNITA e critica atuação da polícia no Uíge

O PRA JA Servir Angola manifestou hoje “total solidariedade” à UNITA e considerou preocupante a atuação da polícia no Uíge, que no sábado impediu um comício do maior partido da oposição em homenagem ao fundador Jonas Savimbi.

“O PRA-JA Servir Angola acompanha com preocupação os atos de intolerância política registados na província do Uíge, que culminaram, no último sábado, com uma atuação da Polícia Nacional que consideramos preocupante e que merece a nossa atenção”, refere o partido, sublinhando que a iniciativa havia sido previamente comunicada à Polícia Nacional e às autoridades locais.

“Apesar disso, no momento da realização do ato, a Polícia impediu a sua concretização”, diz o PRA-JÁ, num comunicado em que expressa “total solidariedade à UNITA, aos seus dirigentes, militantes, simpatizantes e a todos os cidadãos afetados pelos acontecimentos registados no Uíge.

O partido de Abel Chivukuvuku defendeu que a Polícia Nacional deve atuar como “uma verdadeira polícia republicana, ao serviço de todos os angolanos e acima das disputas partidárias”, protegendo tanto quem apoia o poder como quem faz oposição.

Sustentou ainda que, num Estado de direito, a polícia “não deve impedir uma atividade política simplesmente porque ela pertence a uma força da oposição” e que o recurso à força deve ser excecional e proporcional.

O PRA JÁ apelou igualmente às autoridades nacionais e locais para garantirem “tratamento igual a todas as forças políticas” para que situações como esta “não se repitam”, e instou os partidos e cidadãos à serenidade, evitando confrontos.

Os incidentes ocorreram na sexta-feira, quando a Polícia Nacional barrou as ruas de acesso e tomou medidas para impedir a receção do líder da UNITA à chegada à cidade, e no sábado, quando cercou a sede provincial do partido, onde estava previsto o ato político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, a organização juvenil da UNITA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador do partido.

Segundo o relato à Lusa do secretário-geral da JURA, Nelito Ekuikui — que disse ter sido alvo de um atentado —, a polícia começou por volta do meio-dia a disparar gás lacrimogéneo e “balas reais”, registando-se vários feridos.

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, acusou as autoridades locais de criarem um “estado de guerra” no Uíge e acabou por adiar o ato central do principal partido da oposição angolana.

A Polícia Nacional justificou a intervenção com a tentativa da UNITA de realizar uma atividade partidária em “local impróprio”, junto ao tribunal da comarca, considerando também reprovável o fecho de ruas para atos políticos.

“Um dos partidos políticos queria realizar o ato defronte aos órgãos de soberania (…). Automaticamente, acionaram-se as forças para que se impedisse a realização desse ato nesse local”, afirmou à Televisão Pública de Angola o chefe do departamento de comunicação institucional da polícia no Uíge, superintendente-chefe Luís Freitas Jamba.

Também o Bloco Democrático (BD) repudiou a atuação policial, num outro comunicado, exigindo uma investigação transparente e a responsabilização dos autores.

A agência Lusa contactou o Governo Provincial do Uíge, que não se pronunciou até ao momento, não tendo sido possível obter também esclarecimentos adicionais por parte da polícia.

Angola aproxima-se de um novo ciclo eleitoral, antecedido, em dezembro, pelo congresso que vai eleger o novo presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder, e tem eleições gerais previstas para 2027.

O PRA JA e o BD foram parceiros da UNITA na Frente Patriótica Unida (FPU), plataforma política da oposição criada em outubro de 2021 e que concorreu às eleições gerais de 2022 sob a liderança de Adalberto Costa Júnior.

O PRA JA, legalizado como partido em outubro de 2024, anunciou em maio de 2025 a saída da plataforma para concorrer isoladamente em 2027.

O escrutínio de 2022 foi ganho pelo MPLA, com cerca de 51% dos votos, num resultado contestado pela UNITA, que obteve o melhor resultado de sempre nas últimas eleições, conquistando as províncias de Luanda, Zaire e Cabinda.

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Last modified on Domingo, 09 Agosto 2026 14:40

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