O bastonário da OAA, Vity Nsalambi, defedneu que a habitação não se resume a moradia, "é o epicentro da dignidade humana, a base da coesão social e o motor de crescimento económico e é um tema que está no centro de debate de políticas públicas em todo o mundo".
Quanto à realidade angolana, o responsável disse que o país vive um momento de desafios com destaque para o crescimento demográfico acelerado, o estado o ordenamento do território e a falta de políticas públicas suficientes a nível do planeamento do território.
A qualidade da habitação em Angola, a necessidade da criação de modelos de créditos habitacionais inclusivos, bem como a dinamização da indústria de materiais de construção constituem também preocupações a OAA.
Vity Nsalambi falava hoje na abertura da Jornada de Reflexão e Comemoração do Outubro Urbano, subordinada ao tema "Habitação em Angola: Intersecções entre Arquitetura, Sociologia e Economia", que decorre em Luanda,
De acordo com o arquiteto, olhar para o desafio da habitação em Angola "exige" ultrapassar a "visão fragmentada", pois, notou, "é necessário atender a sua natureza sistémica, integrada e transversal".
"É precisamente com base neste pressuposto que este encontro junta as três ciências fundamentais em desprimor para as demais áreas do saber que também concorrem para este importante tema", disse.
A temática deste encontro foi também destacada pelo bastonário, argumentando que a arquitetura projeta o espaço em harmonia com o contexto traduzindo as necessidades humanas, a sociologia lembra que os edificios são habitados por pessoas e a economia traz a viabilidade pragmática e financiamento acessível.
Nsalambi defendeu igualmente que tratados isoladamente, a arquitetura arrisca criar espaços sem alma, a sociologia [pode criar] diagnósticos sem execução e a economia números sem sensibilidade humana.
"Somente na intersecção ou nas intersecções entre estas áreas e outras, sempre com uma visão multidisciplinar ou até mesmo transdisciplinar, encontraremos respostas eficazes para os nossos problemas", vincou.
Acrescentou que nesta reflexão a ambição não deve ser apenas diagnosticar os problemas conhecidos, mas sim avaliar técnicas de projeto e construção abaixo custo, uso de materiais locais, tipologias habitacionais adaptáveis às transformações familiares e climáticas.
Defendeu ainda que técnicos do setor devem também mapear o impacto dos projetos habitacionais nas dinâmicas comunitárias, "combatendo o desenraizamento social" e "promovendo a gestão participativa do habitat".
Propor instrumentos financeiros, inovadores, mecanismos de incentivo ao setor privado com parcerias público-privadas e soluções de créditos acessíveis às famílias do setor informar, bem como mapear os pontos de convergência entre as três áreas (arquitetura, sociologia e economia) e fazer recomendações aos órgãos de decisão das políticas públicas em Angola constam ainda entre as recomendações do bastonário da OAA.

