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Quarta, 04 Novembro 2026 13:00

Líder da UNITA acusa MPLA de “exportar petróleo e importar pobreza”

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, apresentou esta semana, na sua reflexão diária nas redes sociais, uma proposta para responder à escassez de combustíveis que afeta várias regiões do país.

O líder do maior partido da oposição angolana defende a construção de uma rede de refinarias modulares de médio porte, distribuídas pelo território, como alternativa ao atual modelo, assente na exportação de crude e na importação de produtos refinados.

"Não podemos normalizar este sofrimento"

Adalberto Costa Júnior diz acompanhar "com profunda preocupação" os relatos de cidadãos que passam horas, por vezes dias, à procura de gasolina ou gasóleo, do Norte ao Sul e do Leste ao Centro do país. Dá como exemplos o camionista que perde dois dias numa fila, o agricultor que não consegue pôr o trator a trabalhar, o comerciante que não transporta os seus produtos e o jovem empreendedor com o negócio paralisado.

Na sua análise, a falta de combustível converte-se em falta de rendimento, inflação e mais pobreza, e quem paga a fatura é, nas suas palavras, "o cidadão". O líder da UNITA aponta o encarecimento de produtos como o tomate, a cebola, o feijão e o arroz.

Um paradoxo: produzir muito e importar o que se consome

Citando dados que apresenta para 2026, Costa Júnior recorda que Angola produziu em média cerca de 1,03 milhões de barris de petróleo por dia, o que faz do país o maior produtor da África Subsariana. No entanto, o Estado terá gasto 3,8 biliões de kwanzas (cerca de 4,16 mil milhões de dólares) em subsídios aos combustíveis, quase o dobro do inicialmente orçamentado.

Para o dirigente, trata-se de um ciclo que "empobrece o país e enriquece os intermediários". A isto soma a taxa de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos, que, segundo os dados citados, atingiu 40,5% no segundo trimestre de 2026.

Críticas ao Executivo do MPLA

Adalberto Costa Júnior sustenta que "a culpa não é do petróleo", mas "da falta de visão e de coragem política". Acusa o MPLA de repetir falhas ao longo de décadas e lembra que o país depende de uma refinaria construída no período colonial e da refinaria de Cabinda, que continua a funcionar "a meio gás". Critica ainda a aposta do Executivo em "refinarias mega", centralizadas, caras e lentas, que não travaram a dependência das importações nem a subida dos subsídios.

A proposta: refinarias modulares por todo o país

A alternativa da UNITA passa por uma rede de refinarias modulares distribuídas pelas regiões leste, sul, sudeste, nordeste e norte. Segundo os números apresentados:

⎯ uma unidade modular de 10.000 barris por dia custaria entre 80 e 100 milhões de dólares;

⎯ o prazo de construção seria de 12 a 18 meses, contra 4 a 6 anos numa refinaria tradicional;

⎯ o modelo assentaria em parcerias público-privadas, com o setor privado a investir e o Estado a regular e a garantir o quadro legal.

Cinco prioridades para a política energética

O líder da oposição enumera cinco eixos:

1 ⎯ Refinar mais em Angola, acelerando os projetos de refinação e diversificando a dimensão das unidades onde os estudos económicos e logísticos o justifiquem.

2 ⎯ Democratizar o investimento, abrindo o setor a empresários angolanos e investidores internacionais, sem monopólios protegidos nem favorecimentos políticos.

3 ⎯ Criar emprego para a juventude, ligando as refinarias a universidades, institutos técnicos e formação profissional, para formar engenheiros, químicos, eletricistas, mecânicos e técnicos de automação.

4 ⎯ Fazer de Angola um centro regional de derivados, aproveitando portos, caminhos-de-ferro e corredores logísticos para abastecer a RDC, a Zâmbia, a Namíbia, o Botswana e outros mercados.

5 ⎯ Proteger o dinheiro público, reduzindo gradualmente os subsídios generalizados sem abandonar a proteção dos cidadãos mais vulneráveis, e canalizando os recursos para investimento produtivo.

"O mundo já está a fazer isto"

Para sustentar a proposta, Costa Júnior invoca experiências internacionais. Segundo o dirigente, a Nigéria licenciou mais de 25 projetos de refinarias modulares, alguns já em funcionamento ou em construção, enquanto o Gana, o Uganda, a Indonésia e o Cazaquistão constroem unidades de 10.000 a 30.000 barris por dia. O mercado global deste tipo de refinarias valerá 2,4 mil milhões de dólares e deverá chegar aos 3,1 mil milhões até 2030.

O presidente da UNITA defende que o modelo geraria emprego técnico qualificado e dinamizaria pequenos negócios locais, como os de transporte, manutenção e prestação de serviços. Acrescenta que a tecnologia disponível, com sensores IoT, manutenção preditiva e rastreabilidade digital, permitiria unidades modernas, eficientes e transparentes.

"A escolha é simples"

Na conclusão da mensagem, Adalberto Costa Júnior resume a opção como uma escolha entre "continuar a enterrar milhares de milhões em subsídios que não resolvem nada" ou investir em infraestrutura que liberte o país da dependência externa. A UNITA, afirma, acredita num país que liberaliza o mercado, abre espaço ao setor privado e "pensa o futuro com inteligência".

O dirigente terminou com um apelo à partilha e ao debate público, defendendo que "a mudança começa quando a visão deixa de ser discurso e passa a ser projeto".

 

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