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Quinta, 15 Outubro 2026 17:31

João Lourenço aponta "fatores adversos" que dificultaram execução nos seus mandatos

O Presidente de Angola, João Lourenço, atribulu hoje dificuldades na execução do seu Governo ao longo dos seus dois mandatos a "fatores adversos" e declarou se consciente dos "muitos desafios que o país ainda tem pela frente.

João Lourenço apresentou, durante quase quatro horas, na sua última mensagem sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional, um balanço dos seus dois mandatos, a um ano de deixar a Presidência da República, apontando avanços e impactos que travaram as metas que definiu para a governação em Angola.

Empossado pela primeira vez a 26 de setembro de 2022, João Lourenço não pode concorrer às eleições de 2027 por ter atingido o limite de dois mandatos.

Referindo que o Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022 e o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 constituiram a "bússola orientadora na condução da politica geral de governação do pais", apontou "tatores adversos que afetaram a sua execução.

Em particular, destacou "os conflitos internacionais, as perturbações nas cadeias logisticas, o aumento dos preços internacionais dos alimentos, dos combustíveis e fertilizantes, as alterações das condições financeiras globals e flutuações no mercado petrolifero, assim como a pandemia da covid-19"

Angola, segundo o Presidente, enfrentou estas dificuldades e encontra-se em paz, reconciliada, en pleno progresso e desenvolvimento, apostada em continuar a atrair cada vez mais investimento.

O chefe de Estado afirmou estar consciente dos "muitos desafios" que o pais tem pela frente, como "a proteção e educação da criança, a educação e formação académica e profissional do jovem e o aumento da oferta de trabalho para os angolanos como a prioridade das prioridades".

Por outro lado, destacou os avanços em setores estratégicos para o desenvolvimento nacional, começando pelo retrato económico, com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3%, em 2025, e 5,3% по primeiro trimestre de 2026, com o impulso do setor não petrolifero.

A inflação desceu de 27,5%, em 2024, para 10,8%, em junho de 2026, enquanto a dívida pública passou de 115,9% do PIB, em 2020, para 51,2%, em 2026.

O investimento estrangeiro no setor não petrolifero cresceu 54%, o que para o chefe de Estado reflete a "diversificação das fontes de crescimento económico.

João Lourenço percorreu todos os setores da governação com indicadores de melhoria, nomeadamente na saúde, que ganhou 734 novas unidades de atendimento, passando para 3.348 no primeiro trimestre de 2026, e foi reforçada com mais de 28 mil profissionais.

O Presidente angolano registou ainda a redução da mortalidade materna de 239 para 170 por 100 mil nados-vivos e da mortalidade de crianças menores de cinco anos de 68 para 52 por mil nados-vivos.

A cobertura de vacinas chegou aos 78%, enquanto a mortalidade por malaria, a principal causa de morte em Angola, diminuiu de 28 para 20 por 100 mil habitantes, entre 2023 e 2025.

A educação, que começou o ano letivo com o anúncio de greve geral dos professores, tem mais de nove milhões de alunos matriculados, acompanhados por mais de 252 mil professores e distribuídos por quase 142 mil salas de aula.

O ensino técnico-profissional cresceu 18,5% desde 2021, com quase 211 mil formandos, e o ensino superior tem 352 mil estudantes divididos por 106 instituições, a maioria privadas.

O chefe de Estado falou também de habitação e das 18 centralidades (conjuntos habitacionais) com mais de 40 mil fogos ocupados por 2,4 milhões de angolanos, além da disponibilidade de 370 mil lotes para auto construção,

No país, cerca de 6,4 milhões de angolanos trabalham na agricultura, na pecuária, nas florestas e nas pescas, um setor que, segundo a Presidente, tem vindo a crescer com reflexo no crescimento de 66% das exportações não petroliferas, entre 2022 e 2025, e a redução das importações alimentares

Metade da população continua sen energia elétrica, mas o pais reforçou a capacidade instalada, de 4.659 megawatts, em 2017, para 6.322 megawatts, enquanto o abastecimento de água chega a 67% da população.

O Presidente referiu-se ainda aos planos em curso para combate à seca no sul de Angola, com a entrada em funcionamento de novas barragens, ás estradas construidas ou reabilitadas, aos novos aeroportos programados, portos maritimos e ligações ferroviárias, com destaque para o Corredor do Lobito, que centra as atenções e investimento internacionals.

O turismo foi apontado, também, como "uma frente de diversificação económica, com um aumento de 28% em 2025 face a 2022, e a visita de mais de 223 mil turistas Intemacionals.

João Lourenço falou ainda de desporto e das conquistas angolanas, nomeadamente das seleções femininas de basquetebol e andebol, e de cultura, com a recuperação de equipamentos culturais e a inscrição do Sona (desenhos na areia) na Lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Ciência, Cultura e Educação,

O discurso de João Lourenço passou também pelo ambiente, justiça, defesa, forças de segurança, combate à corrupção e crimes económicos e pela política nacional e internacional.

Os jovens, num pais onde mais de dois terços da população tem menos de 30 anos, foram incluidos nas prioridades pelo Presidente da República, que anunciou a realização uma Conferência Nacional da Juventude Angolana, destinada a promover a reflexão sobre a participação dos jovens no desenvolvimento nacional, sem avançar datas.

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