Adalberto Costa Júnior falava à imprensa no final da cerimónia de abertura do novo ano legislativo, na qual o Presidente angolano, João Lourenço, fez um discurso, de quase quatro horas, sobre o Estado da Nação.
“Mais uma vez, ao longo deste mandato, o Presidente da República traz à Assembleia Nacional a lista dos ministérios, a lista das realizações”, referiu.
Segundo o líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), hoje fez “uma aprendizagem: ter um país bom não é ter um país de longa lista de realizações”, considerando que faltou “coesão, diálogo, concertação, inclusão” na longa lista apresentada por João Lourenço.
Adalberto Costa Júnior realçou que marcou presença, quarta-feira, na cerimónia de inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos no país, mas escusou-se a prestar declarações por considerar que a “reconciliação nacional desapareceu da agenda política desde 2017”.
Os pressupostos pendentes de paz e reconciliação ainda existem hoje, prosseguiu Adalberto Costa Júnior, frisando que milhares de angolanos ainda hoje “vão morrendo à espera da inclusão”.
“Há aspetos ligados aos protocolos de paz que não foram cumpridos, mas, desde 2017, desapareceram do Orçamento Geral do Estado (…), os nossos orçamentos tinham alíneas para os pendentes da paz. Desde que o mandato de João Lourenço iniciou-se nunca mais nós tivemos inseridos os aspetos da reconciliação nos orçamentos, na agenda política, estes pendentes que fazem o país”, referiu.
Para o líder da UNITA, a nação angolana fica mais distante “quando a coesão social não acontece, quando a concertação e o diálogo não ficam melhorados”.
“Uma longa lista não faz um país feliz”, reiterou o político, lamentando a saída do país de um elevado número de jovens e questionando “porque é que se vai embora de um país ideal”.
“Acabaram de ouvir aqui um país ideal. Angola é um país maravilhoso, tem excecionais sistemas de saúde, mas os governantes tratam-se nos hospitais que foram aqui retratados? O senhor Presidente trata-se aqui? A senhora ministra da Saúde trata-se aqui? Estas são as realidades do país, num momento como este”, acrescentou.
Relativamente à implementação das autarquias e à aprovação do pacote legislativo autárquico, o presidente da UNITA atribuiu a sua não realização ao líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, partido no poder), João Lourenço.
“A bancada do MPLA recebe ordens do seu presidente, chama-se João Lourenço, se não temos autarquias aprovadas é porque o presidente do MPLA não permitiu, lamentavelmente”, sublinhou.

