Na sequência da reunião do Comité de Política Monetária, o BNA anunciou a redução da taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez de 18% para 16,75%. Paralelamente, a taxa da facilidade permanente de absorção de liquidez foi reduzida de 16% para 14,75%.
Segundo o banco central, a decisão foi tomada tendo em conta a desaceleração consistente da inflação registada nos últimos meses, bem como a expectativa de manutenção desta tendência no curto prazo.
Para Carlos Rosado de Carvalho, a redução da inflação resulta, essencialmente, de dois factores: o controlo administrativo dos preços dos combustíveis e a estabilidade da taxa de câmbio. O economista considera que estes elementos têm desempenhado um papel determinante na contenção da subida dos preços, apesar do recente aumento do preço do gasóleo, que passou de 400 para 420 kwanzas por litro.
Ainda assim, o especialista alerta que os fundamentos da economia continuam frágeis e defende que o actual modelo de controlo da inflação apresenta limitações significativas.
"O controlo da inflação é claramente negativo", afirma Carlos Rosado de Carvalho, acrescentando que a estratégia tem revelado, de forma recorrente, "inconsistências" e "insustentabilidades".
Apesar das reservas quanto à forma como a inflação tem sido controlada, o economista reconhece que a descida das taxas de juro poderá produzir efeitos positivos na economia, ao facilitar o acesso ao crédito, incentivar o investimento privado, estimular a criação de emprego e reforçar o poder de compra das famílias.
Contudo, adverte que estes benefícios poderão ser limitados caso o aumento da procura não seja acompanhado por uma maior capacidade de produção das empresas nacionais. Nessa situação, o crescimento do consumo poderá traduzir-se em novas pressões inflacionistas.
Outro dos impactos apontados por Carlos Rosado de Carvalho prende-se com a remuneração das poupanças. Segundo o economista, a redução das taxas de juro deverá penalizar os detentores de depósitos a prazo, uma vez que os bancos tenderão a oferecer rendibilidades mais baixas.
A decisão do BNA reflecte um contexto de maior optimismo quanto à evolução da inflação, mas especialistas defendem que a consolidação desta tendência dependerá de reformas estruturais capazes de reforçar a produção nacional, aumentar a oferta de bens e reduzir a dependência de mecanismos administrativos para o controlo dos preços.

