A UNITA decidiu manter a designação Frente Patriótica Unida (FPU) e avança para a sua formalização junto do Tribunal Constitucional, com vista às eleições gerais de 2027. O maior partido da oposição angolana aposta na coligação como instrumento para viabilizar aquilo que o seu presidente, Adalberto Costa Júnior, designa por transição democrática em Angola — país governado pelo MPLA desde a independência nacional, em 1975.
Em declarações ao semanário Novo Jornal, o líder do "galo negro" afastou qualquer hipótese de mudança de nome. "A designação vai continuar, pois está registada a patente", afirmou, sublinhando que a FPU é já uma marca reconhecida e que alterá-la seria desperdiçar o capital político acumulado.
Adalberto Costa Júnior confirmou que a transformação da FPU numa coligação formal "está sobre a mesa", mas recusou adiantar datas ou revelar os parceiros que se deverão juntar à estrutura. A divulgação pública ocorrerá "proximamente", garantiu, sem mais detalhes.
Fontes próximas do partido indicam, contudo, que o elenco de novos associados deverá surpreender. À semelhança do que aconteceu com as indicações feitas para a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) — onde foram nomeadas personalidades de reconhecido mérito moral —, a UNITA estará a preparar uma lista que poderá incluir académicos, associações religiosas e representantes de classes profissionais com idoneidade reconhecida. O denominador comum, segundo as mesmas fontes, será o compromisso com os "angolanos e por Angola".
Estratégia de alargamento antes do ciclo eleitoral
A aposta na FPU como plataforma alargada reflecte a estratégia da UNITA de apresentar em 2027 não apenas um partido, mas uma frente com maior representatividade social e política. O objectivo declarado é construir uma alternativa credível ao MPLA que vá além do núcleo duro da oposição tradicional e atraia sectores da sociedade civil e figuras independentes.
A formalização junto do Tribunal Constitucional será o passo seguinte nesse processo — um acto com implicações legais e simbólicas, que tornará a FPU uma entidade reconhecida para efeitos eleitorais e não apenas uma aliança informal de partidos.
Angola realiza eleições gerais em 2027. A UNITA terminou as últimas eleições, em 2022, com cerca de 44 por cento dos votos — o resultado mais expressivo da oposição desde a independência —, encurtando significativamente a distância em relação ao partido no poder.
A Frente Patriótica Unida foi criada antes das eleições de 2022 como coligação eleitoral liderada pela UNITA. A sua conversão em coligação formal permanente representa uma aposta na continuidade dessa estrutura como veículo político de longo prazo.

