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Quinta, 30 Julho 2026 16:47

Hackers exigiram resgate de 300 mil milhões de kwanzas após ataque à UNITEL, revela revista

O ataque cibernético que paralisou os serviços móveis da UNITEL na madrugada de terça-feira poderá ter tido como principal objetivo a obtenção de um resgate milionário equivalente ao montante arrecadado com a recente venda de 15% das ações da operadora na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).

A informação foi avançada pela revista Economia & Mercado (E&M), que cita uma fonte da empresa segundo a qual os autores do ataque exigiram 300 mil milhões de kwanzas (326,5 milhões de dólares), valor correspondente às receitas obtidas pelo Estado com a alienação da participação na maior operadora de telecomunicações do país.

De acordo com a mesma fonte, os atacantes conseguiram infiltrar-se na infraestrutura tecnológica da empresa através da plataforma de acesso remoto, tendo encriptado dados considerados críticos para o funcionamento da rede.

"Foi um ataque à nossa rede. Invadiram a nossa aplicação para acesso remoto e conseguiram encriptar os nossos dados. Isso está a levar a uma grande intervenção técnica para recuperar o nosso Data Center", afirmou a fonte citada pela revista, sob anonimato.

Segundo a publicação, os hackers condicionaram o desbloqueio dos sistemas ao pagamento do resgate em criptomoedas, exigência que não foi aceite pela administração da UNITEL.

A empresa terá optado por não negociar com os atacantes, mantendo os trabalhos de recuperação dos sistemas afectados através das suas equipas técnicas e especialistas em cibersegurança.

Ainda segundo a fonte ouvida pela Economia & Mercado, a reposição dos serviços tem decorrido de forma gradual, enquanto decorrem intervenções em vários sistemas críticos, incluindo a plataforma de billing, responsável pela facturação dos serviços prestados aos clientes.

Apesar da dimensão do incidente, a mesma fonte assegura que os atacantes não conseguiram desviar quaisquer fundos das contas da empresa, limitando-se a comprometer o funcionamento dos sistemas informáticos.

"Apesar destas contrariedades técnicas, estes hackers, que podem ter origem no nosso próprio país, não conseguiram, felizmente, sacar algum valor das contas da empresa", acrescentou.

A UNITEL já havia confirmado, em comunicado ao mercado, que o ataque foi detectado às 02h20 do dia 28 de Julho e afectou os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional. A operadora admitiu igualmente estar a investigar a possibilidade de o incidente ter sido um ataque deliberado, coincidindo com a véspera da admissão das suas acções à negociação na BODIVA.

Até ao momento, a empresa não confirmou oficialmente a existência do pedido de resgate nem o montante alegadamente exigido pelos atacantes. Também não foram divulgadas informações sobre a identidade ou origem dos responsáveis pelo ataque, cuja investigação continua em curso.

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Last modified on Quinta, 30 Julho 2026 16:57

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