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Segunda, 26 Outubro 2026 15:41

Igreja Católica considera que Angola ainda não alcançou a verdadeira reconciliação nacional

A Igreja Católica angolana recomenda a constituição de uma mesa permanente de diálogo político e eleitoral como entidade mediadora de conflitos por entender que o fim do conflito armado não produziu uma verdadeira e efetiva reconciliação no país.

“Reconciliação Nacional e Desafios Eleitorais, Construindo Pontes para uma Angola Unida” foi o lema do 1.º Congresso Arquidiocesano, que decorreu no fim de semana na província angolana do Lubango, organizado pela Comissão de Justiça e Paz e Integridade da Criação da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST).

Conforme as conclusões e recomendações do encontro, hoje divulgadas, os participantes das dioceses (unidade territorial da Igreja Católica) do Lubango, Namibe, Ondjiva e Menongue concluíram que ainda não há uma reconciliação efetiva no país.

Consideram que o fim do conflito armado não deu lugar a uma verdadeira e efetiva reconciliação entre todos os angolanos e angolanas, “continuando a persistir várias e graves formas de exclusão política, económica, social, cultural e ecológica”.

Apontam que continua a haver falta de cultura de diálogo político e resolução prática e justa de conflitos “que se agravam por altura dos períodos eleitorais”, salientando que o país precisa de ligar a reconciliação nacional à memória histórica e “aprender com o passado para reconstruir o futuro”.

“Há um abuso da exploração dos imensos recursos naturais do país e a mineração tem provocado alterações climáticas e conflitos sócio ambientais que são desafios à reconciliação nacional, à justiça social e à coesão social”, refere-se no comunicado final.

Nas conclusões, referem igualmente que a paz verdadeira é aquela que integra todos e assume-se como o novo nome do desenvolvimento e da justiça social.

Os participantes recomendaram a concretização de seis compromissos, a assumir pelos atores políticos e sociais, pelas organizações religiosas e cristãos e homens de boa vontade, nomeadamente o estabelecimento de um pacto nacional de não violência.

A constituição de uma mesa permanente de Diálogo Político e Eleitoral, como entidade mediadora de conflitos, e a exigência de transparência verificável dos resultados eleitorais para que a verdade eleitoral “seja apaziguadora de tensões e expressão da verdadeira soberania popular” estão entre as recomendações.

Recomendam ainda a promoção de atividades de esclarecimento e formação em matéria eleitoral de todos os que, em nome da reconciliação nacional, deverão intervir como observadores das eleições e a promoção de grupos de base de mediação e alerta/resposta rápida de eventuais conflitos.

Segundo a organização, o encontro, que se encerrou no domingo, na província angolana da Huíla, surgiu na sequência do Congresso Nacional da Reconciliação, promovido pela CEAST nos dias 05 e 06 de novembro de 2025.

Angola realiza as próximas eleições gerais em agosto de 2027. O Presidente angolano, João Lourenço, que cumpre o último ano do seu segundo mandato presidencial, inaugurou em 14 de outubro passado o Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, dedicado à preservação da memória histórica e à homenagem às vítimas.

O presidente da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), Adalberto Costa Júnior, que participou da cerimónia inaugural do monumento, criticou, dias depois, o Memorial, considerando que a infraestrutura não simboliza uma verdadeira reconciliação porque “criminaliza a UNITA e o seu líder fundador, Jonas Savimbi”.

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